Resistência Antimicrobiana: Patógenos que Afetam a Saúde Animal

Resistência Antimicrobiana: Patógenos que Afetam a Saúde Animal

Resistência Antimicrobiana: Patógenos que Afetam a Saúde Animal

A resistência antimicrobiana ocorre quando microrganismos como bactérias e fungos desenvolvem a capacidade de derrotar as drogas destinadas a matá-los, os antibióticos, e continuam a se desenvolver. Muito debatida na saúde humana, a resistência antimicrobiana de alguns patógenos também pode afetar a saúde dos animais e, consequentemente, das pessoas e até mesmo do ambiente (solo e água).

ONE HEALTH: CONCEITO DE SAÚDE ÚNICA

One Health é uma abordagem que reconhece que a saúde das pessoas está intimamente ligada à saúde dos animais e ao nosso ambiente compartilhado. O termo trata de questões ligadas à saúde, epidemiologia e adoção de políticas públicas efetivas para prevenção e controle de enfermidades, trabalhando nos níveis local, regional, nacional e global. One Health não é novo, mas se tornou mais importante nos últimos anos. Isso ocorre porque muitos fatores mudaram as interações entre pessoas, animais, plantas e nosso meio ambiente.

À medida que o mundo de hoje se torna cada vez mais conectado, a necessidade de aplicar efetivamente o conceito One Health só aumenta. Não só para proteger pessoas e animais de doenças, mas também para impedir rupturas econômicas que podem acompanhar esses surtos de doenças. Isso significa realizar vigilância, planejar atividades de resposta a surtos e criar estratégias de prevenção de doenças para reduzir a contaminação e mortes em pessoas e animais.

ANTIBIÓTICOS COMO PROMOTORES DE CRESCIMENTO DA RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA

Antimicrobianos passaram a ser significativamente usados na criação de animais para consumo na década de 50. Em 1951, o Food and Drug Administration (FDA) dos EUA liberou a sua administração na dieta animal sem receita veterinária. Desde então, além de serem aplicados no tratamento de infecções, os fármacos têm sido usados como promotores de crescimento nesses animais.

Hoje, na criação animal, há basicamente três tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro é o terapêutico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira é a preventiva, como no desmame dos suínos — esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupressão, que pode levar à infecção por várias bactérias, então se faz preventivamente o tratamento. A terceira maneira é a mais polêmica e a mais discutida na ciência, que é a administração de antimicrobianos como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal não tem nenhuma doença, provavelmente não vai ficar doente, e a droga é empregada com a finalidade de promover o crescimento.

As medicações antibióticas reduzem o tamanho e o peso do trato digestório, o que torna as vilosidades e as paredes intestinais mais finas, aumentando a absorção dos nutrientes. Além de manter a qualidade da flora gastrointestinal dos animais, pois controlam a flora patogênica e, assim, diminuem a disputa por nutrientes, além de reduzirem a produção de metabólitos depressores do crescimento dos animais. Esses produtos indicados com função de aditivo alimentar são chamados de antibióticos promotores de crescimento (APC), ou antibióticos melhoradores do desempenho animal.

Em 2016, cerca de 8,4 milhões de kg de antibióticos considerados importantes para uso humano foram vendidos para uso na pecuária

RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA E MAIOR CONTROLE DOS ANTIBIÓTICOS

A União Europeia proibiu o uso de antibióticos como promotores do crescimento em 2005 e, em 2018, proibiu o uso rotineiro de profilaxia em massa usando rações com antibióticos. Os EUA também têm implementado uma melhor regulamentação de antimicrobianos em animais de corte. Desde janeiro de 2017, a FDA tem desautorizado o uso de antimicrobianos clinicamente importantes na promoção do crescimento em animais de corte, e suas regulamentações sobre as diretrizes de alimentação veterinária têm limitado antibióticos clinicamente importantes da venda livre para criadores, para exigir controle veterinário. Alguns estados possuem regras ainda mais rígidas sobre antibióticos para animais de corte, mas nenhum se aproximou da proibição direta.

No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) garante que o país está correndo atrás para ter um sistema de vigilância, por meio do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR AGRO), cujo prazo previsto para implementação vai de 2018 a 2022.

Em dezembro de 2018, a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), ligada ao MAPA, por meio da Portaria Nº 171, informou sobre a intenção de proibição de alguns antimicrobianos com a finalidade de aditivos melhoradores de desempenho, abrindo prazo para manifestação dos setores envolvidos. Dentro os antimicrobianos utilizados estariam os que contém bacitracina, lincomicina, tiamulina, tilosina e virginiamicina em todo o território nacional. Essa decisão segue as recomendações de órgãos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), e as práticas adotadas por demais países, como os EUA, que proibiram a administração de qualquer antibiótico de importância para a medicina humana na produção de animais, mesmo na forma terapêutica.

CONSEQUÊNCIAS DO USO EXCESSIVO DE ANTIBIÓTICOS NA PRODUÇÃO ANIMAL

O uso contínuo dos APCs na produção animal diminuiu gradativamente os efeitos dos medicamentos, aumentando a resistência antimicrobiana, o que levou à necessidade de doses mais altas e à total dependência do uso desses medicamentos em algumas cadeias produtivas, especialmente as de suínos e aves.

Esse fato culminou no aparecimento de bactérias resistentes aos antibióticos, o que se torna um problema quando é preciso utilizá-los para o tratamento de infecções e doenças nos plantéis (animais de reprodução). Mas não é só isso. O assunto também afeta a saúde pública, motivo pelo qual se tem buscado a redução ou a eliminação de APCs na nutrição animal.

Há alguns anos, pesquisadores descobriram o gene resistente mcr-1 em plasmídeo de Escherichia coli de suínos e muitos estudos indicam a possibilidade de esse gene ser transferido para a flora gastrointestinal de humanos que consomem produtos de origem animal. Por causa disso, desde 2016 foi proibido o uso de Colistina (Poliximina E) assim como outros da classe dos macrolídeos e da penicilina como APC, pois são amplamente usados e criticamente importantes para a saúde humana.

Uma análise feita entre 2004 e 2006 pela Anvisa em amostras de frangos congelados vendidos em 14 estados brasileiros, detectou bactérias Salmonella e Enterococcus resistentes a vários antimicrobianos. Das 250 cepas de Salmonella analisadas, por exemplo, 77% foram consideradas multirresistentes.

MAS COMO ESSE MATERIAL GENÉTICO RESISTENTE PASSA DOS ANIMAIS PARA OS HUMANOS?

O caminho de “transmissão” de microrganismos resistentes ainda é desconhecido e muito estudado. Primariamente, acredita-se na transmissão fecal-oral. Microrganismos intestinais podem contaminar, diretamente, carne ou outros produtos animais quando o processamento dos alimentos fica aquém dos padrões ótimos. Também é importante lembrar que muitos desses antibióticos são excretados na urina e nas fezes e chegam ao meio ambiente contaminando água a ser ingerida por humanos que bebem água não tratada ou comem vegetais crus irrigados com essa água. Outra hipótese é que esses antibióticos excretados podem causar resistência a microrganismos do meio ambiente que não são parte da flora intestinal do animal. E, devido à capacidade de transferir genes localizados em elementos genéticos móveis, esses organismos portando, esses genes móveis, podem transferir resistência a organismos completamente diferentes os quais são patógenos humanos. Outra possibilidade é que pessoas que trabalham em contato direto com animais sejam, possivelmente, colonizadas por microrganismos resistentes.

Em uma tese de mestrado, realizada na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), pesquisadores buscaram bactérias resistentes em amostras de queijo minas frescal. Todos os exemplares estudados apresentaram algum conjunto de bactérias resistentes — em 13% a resistência antimicrobiana foi constatada para todos os antibióticos testados, e em 80%, para 8 a 10 diferentes antibióticos. Foi constatada ainda resistência antimicrobiana em 87% dos queijos aos carbapanêmicos, tipo de antibiótico potente que é considerado uma das últimas alternativas na luta contra microrganismos muito resistentes.

O uso de antibióticos na nutrição animal deve ser racional e cauteloso, tendo em vista as graves consequências que o abuso pode causar tanto na saúde animal como na humana. A restrição e a proibição de diversos antimicrobianos na agropecuária direcionam os produtores a estabelecerem planos estratégicos para atingirem seus objetivos produtivos, sendo que o foco em nutrição se mostra o mais efetivo. É mais provável que medidas preventivas ajudem em curto prazo, incluindo coisas como:

  • Novas vacinas;
  • A criação seletiva de animais com maior resistência a doenças;
  • Métodos de processamento de alimentos que eliminem mais patógenos antes do ponto de venda;
  • Melhores métodos de testes, como exames por PCR multiplex, capazes de diagnosticar patógenos específicos e, assim, ajudar a distinguir a infecção viral da bacteriana e também identificar animais infectados rapidamente, para que possam ser isolados e tratados sem ter que tratar toda a manada ou grupo de animais;
  • Usar probióticos e ácidos orgânicos para a promoção do crescimento.

Fonte: Kasvi

Na volta do feriado, paulistanos enfrentam fila em postos de saúde para descobrir se têm Covid ou influenza

Na volta do feriado, paulistanos enfrentam fila em postos de saúde para descobrir se têm Covid ou influenza

Na volta do feriado, paulistanos enfrentam fila em postos de saúde para descobrir se têm Covid ou influenza

Na primeira segunda-feira do ano, muita gente em vez de ir ao trabalho foi ao posto de saúde em busca de testes para gripe ou Covid. Com sintomas parecidos, a população tenta descobrir que doença tem após o período de festas num país onde faltam testes.

Há quatro dias a média móvel de casos de Covid está 100% maior que o cálculo de 14 dias atrás, o que demonstra forte tendência de alta. Enquanto isso, o surto de influenza avança pelo Brasil.

Em São Paulo, Unidades Básicas de Saúde têm cerca de três horas de espera para quem busca fazer o teste e receber algum tipo de tratamento. As filas de pessoas com tosse, dores no corpo, dor de garganta e febre são longas.

A jornalista Cristiane Sinatura, 32 anos, passou alguns dias da semana passada no Rio. Voltou para São Paulo com tosse leve, comum às suas crises de rinite e, por isso, seguiu com a programação de folga e viajou para um sítio com amigos. Foi lá que começou a sentir febre, dor de garganta e dores pelo corpo. Passou a virada de ano isolada em um quarto. Achava que estava com gripe, até quando, na manhã de segunda, não sentiu o gosto do café.

Tentou uma consulta por telemedicina, mas não havia previsão de atendimento devido ao excesso de chamadas. Então foi à farmácia e fez um teste rápido, que deu negativo para Covid. Mesmo assim, não se sentiu segura e foi ao posto de saúde na Vila Madalena, zona Oeste de São Paulo, mas desistiu ao saber que teria que ficar 2h30 esperando atendimento.

— Não quero ficar doente na fila, então vou para casa esperar a janela para fazer mais um teste de farmácia, que parece detectar qual dos dois vírus tenho. Vou ter que pagar. Confio na vacina, tomei três doses, então não me preocupo tanto com a evolução, mas fico tensa por não saber o que eu tenho. Preciso descobrir até para entender quanto tempo devo ficar em isolamento — afirma Sinatura.

Preocupada com o futuro também está Elisângela Chable, empresária de 27 anos. Com febre de 39 graus e calafrios, foi à farmácia tomar uma injeção, acreditando estar gripada. Com o passar dos dias, surgiu a tosse, dor no corpo, especialmente no peito e nos olhos, e muito cansaço. Diante disso, decidiu encarar a espera de mais de três horas em uma UBS na Lapa.

—Como eu sabia que ia ser demorado, decidi tratar em casa mesmo. Mas preciso saber o que tenho para seguir a vida. Não posso parar de trabalhar — conta ela, que não sabe como se contaminou. — Pode ter sido no Natal, mas todos estão bem em casa. Pode ter sido na rua, no metrô, não sei.

Fonte: O Globo
Constança Tatsch
03/01/2022 – 13:38 / Atualizado em 03/01/2022 – 13:44

Crescem os casos de pessoas e profissionais de saúde com depressão na pandemia

Crescem os casos de pessoas e profissionais de saúde com depressão na pandemia

Casos de pessoas com depressão na pandemia foram intensificados e aumentaram no país, conforme veremos ao longo deste artigo. Mas é importante esclarecer: antes da crise de saúde pública que estamos passando, o Brasil já estava entre os países com os maiores índices desta enfermidade.

A doença é um transtorno mental ocasionado por uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos, que afetam o cotidiano das pessoas no trabalho, estudo, alimentação, descanso e lazer. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com essa doença, como podemos visualizar na página da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia declarado o Brasil como o país com mais deprimidos na América Latina, com 5,8% da população atingida pela doença. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, mostra que o percentual de brasileiros que declaram ter recebido diagnóstico de depressão por profissional de saúde mental aumentou 34,2% em seis anos, totalizando 16,9 milhões de pessoas.

Variáveis para o aumento de casos de depressão na pandemia

O isolamento social fez com que familiares e amigos se afastassem uns dos outros, para evitar a proliferação do vírus e o aumento de casos. Este distanciamento contribuiu para que as pessoas se sentissem sozinhas e se preocupassem mais com os familiares que estavam longe e aqueles que precisam de cuidados especiais, durante o período de quarentena.

Além dessa separação, não podemos esquecer das famílias afetadas financeiramente pelo fechamento de empreendimentos, estabelecimentos comerciais e outros tipos de negócio. O desemprego e a falta de renda contribuem para o surgimento de sintomas depressivos, devido à incerteza de não conseguir cumprir com as responsabilidades mensais e as necessidades dos familiares.

A terceira circunstância é o medo de ser infectado pelo vírus SARS-CoV-2, sofrer com os sintomas e colocar os grupos mais vulneráveis em risco. Este sentimento de alerta é dobrado quando se trata daqueles que precisam sair de suas residências diariamente para trabalhar. Por fim, mas não menos importante, os amigos e familiares que convivem com o luto estão entre os mais suscetíveis a desenvolver a doença em razão da dor da perda.

Comportamentos correlacionados com o aumento de casos de depressão na pandemia

Uma pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) aponta que os casos de depressão saltaram de 4,2% para 8,0% entre março e abril de 2020, pico da pandemia. Outro estudo da mesma instituição, cujo artigo foi publicado na revista The Lancet, mostra que os casos de depressão aumentaram 90%.

Todas as mudanças de convivência e os impactos econômicos provocados pela pandemia são catalisadores para desenvolver comportamentos que indicam quadros depressivos, como aumento de consumo de cigarros, bebidas alcoólicas, comidas ultraprocessadas, internet e televisão. Em contrapartida, observa-se menos atividades físicas, horas de sono e alimentação saudável.

A pesquisa ConVid Comportamentos, com participações diretas de três das maiores instituições brasileiras da área de pesquisa (Fiocruz, Unicamp e UFMG), aponta que, dos 45.161 brasileiros entrevistados, 40,4% alegaram ter sentimentos de tristeza ou depressão. Veja alguns números de comportamentos que estão correlacionados com este quadro:

  • 34% dos fumantes aumentaram o número de cigarros consumidos por dia.
  • 17,6% das pessoas aumentaram o consumo de álcool.
  • O índice de pessoas que praticavam exercícios físicos semanais caiu de 30,4% para 12,6%.
  • Aumento médio diário de 1h45 de consumo de TV e 1h30 de consumo de computador e tablet.

Profissionais de saúde apresentam sintomas depressivos

Os profissionais de saúde estão na linha de frente no combate e na contenção do vírus. Com alguns estados novamente na fase crítica, alguns especialistas acreditam que a “segunda onda” da doença complicará ainda mais as condições de trabalho desses profissionais, que estão mais vulneráveis a desenvolver a síndrome de burnout.

Na 4ª edição da pesquisa “Os médicos e a pandemia de Covid-19”, da Associação Paulista de Medicina (APM), em conjunto com a Associação Médica Brasileira (AMB) e apoio da FGV EAESP, mostra que de 3.882 médicos ouvidos, 80,8% acreditam que a segunda onda da pandemia da COVID-19 é tão ou mais grave do que a primeira, 91,5% indicaram que há um aumento de casos e 69,1% disseram ser possível observar o crescimento de óbitos motivados pela doença.

No artigo “Segurança e Saúde no trabalho: síndrome de burnout”, explicamos que este distúrbio emocional e psíquico é mais comum em profissionais da área da saúde, que atuam sob pressão e com responsabilidades constantes em que o contato humano é contínuo, semelhante ao momento que estamos passando.

A responsabilidade de salvar vidas, somada ao cansaço, estresse, superlotação do sistema de saúde, falta de leitos e insumos, além da sobrecarga de serviços (haja vista que alguns profissionais também foram acometidos ou estão deixando os postos de trabalho em razão da pressão), são determinantes para desenvolver quadros depressivos. Segundo a APM, mais de 80% dos médicos indicam haver uma ocupação maior do que o habitual e 17,7% relatam superlotação.

Este cenário médico atual é propício para quem está na contenção do vírus desenvolver a síndrome de Burnout ou quadros depressivos, em razão das variáveis mencionadas no segundo tópico e que são intensificadas quando se deparam com os casos no local de trabalho. De acordo com a APM, 92,1% dos entrevistados apontaram que há, onde trabalham, médicos com algum sintoma mental ou físico que pode indicar quadros mais graves de exaustão e sobrecarga. Veja por quais situações os médicos estão passando:

  • Ansiedade (64%).
  • Estresse (62%).
  • Sensação de sobrecarga (58%).
  • Exaustão física e emocional (54,1%).
  • Mudanças bruscas de humor (34,4%).
  • Dificuldade de concentração (27%).

Interrupção de serviços essenciais de saúde mental e principais reclamações

É importante que os gestores da área acompanhem sua equipe, para afastar e tratar os profissionais que estejam apresentando os sintomas da síndrome de Burnout ou quadros depressivos. A pesquisa da OMS “O impacto da COVID-19 nos serviços mentais, neurológicos e de uso de substâncias”, realizada em 130 nações entre junho e agosto de 2020, mostra que a pandemia interrompeu os serviços essenciais de saúde mental em 93% dos países, 67% confirmaram o impacto no atendimento psicoterapêutico e 60% reportaram interrupções nos serviços de atendimento à saúde mental para a população mais vulnerável, incluindo crianças e adolescentes (72%) e idosos (70%).

A falta de estrutura e insumos inibem o trabalho desses profissionais nas unidades de saúde. Entre as principais reclamações dos médicos, segundo a pesquisa da APM, estão a falta de profissionais de saúde (32,5%), seguido por diretrizes, orientação ou programa para atendimento (27,2%), leitos de internação nas unidades ou em UTI (20,3%), materiais hospitalares diversos (16,7%), medicamentos (11%) e respiradores (5,9%).

Pessoas com sintomas depressivos podem procurar tratamento na atenção primária, nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em ambulatórios especializados. Além do atendimento psicoterápico, o médico avaliará qual antidepressivo receitar, com base nos antecedentes pessoais e familiares e em doenças clínicas.

Fonte: Labtest

Especialistas dão dicas de cuidados para pele e saúde nasal durante o verão

Especialistas dão dicas de cuidados para pele e saúde nasal durante o verão

Os cuidados que geralmente são intensificados no verão, em virtude do aumento das temperaturas, devem ser praticados diariamente como o uso do filtro solar e a hidratação nasal

Com a chegada do verão, os cuidados com a saúde nasal e com a pele devem continuar. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil terá 625 mil novos casos de câncer a cada ano do triênio 2020-2022, sendo o câncer de pele não melanoma o mais incidente, com 177 mil novos casos, e 8,5 mil casos de câncer de pele melanoma. Sobre o cuidado com a saúde nasal, de acordo com especialistas, quem tem o hábito de limpar o nariz todos os dias reduz de 30% a 50% a frequência de uso de medicações, casos de gripes e resfriados. 

Cuidados com a pele

Mais frequente no Brasil, de acordo com o INCA, o câncer de pele não melanoma corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país e a prevenção continua sendo uma grande aliada no combate à doença. Conforme orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o protetor solar é um produto indispensável em qualquer estação do ano e deve ser aplicado todos os dias, mesmo quando estiver nublado. Mas estatísticas da 21ª Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele mostraram que 63,05% das pessoas se expõem ao sol sem qualquer proteção.

A dermatologista Dra. Paula Ferreira, explica que a fotoproteção é o método mais eficaz para a prevenção do câncer de pele, do melasma e do fotoenvelhecimento, causados pela exposição excessiva a raios ultravioletas (UV).

“O filtro solar promove a criação de um filme protetor na pele, que reflete, dispersa e absorve os raios UV e, assim, atenua a penetração da radiação na pele. O uso de medidas fotoprotetoras, como o filtro solar, é uma necessidade diária para toda população, não importa etnia, idade e região geográfica, pois apresenta alto potencial de proteção contra a queimadura solar, evita o envelhecimento precoce da pele e o câncer de pele”, explica a especialista.

A médica reforça que pelo Brasil estar em uma região geográfica com índices de radiação UV elevados durante maior parte do ano, a fotoproteção é importante não só no verão.

“A fotoproteção não deve ser sazonal e relacionada a dias recreacionais em praias e parques, mas também deve ser feita durante o dia a dia nas cidades. Existem produtos específicos para a fotoproteção urbana, que não possuem cheiro de praia e apresentam rápida absorção do produto, características que promovem maior adesão ao uso diário”.

Além do filtro solar, confira outras dicas de proteção:

– Usar roupas que cubram bem o corpo, chapéus com abas largas e óculos de sol com lentes UV;
– Abrigar-se em locais com sombras e árvores;
– Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.
– Saúde nasal e seus cuidados

Independentemente da estação do ano, a limpeza e hidratação nasal devem ser feitas diariamente, contribuindo na prevenção de doenças respiratórias como gripe, resfriado, rinite e sinusite. De acordo com a otorrinolaringologista Dra. Maura Neves, a limpeza nasal remove as impurezas inaladas e diversos agentes agressores, como vírus e bactérias, além de auxiliar na diluição e remoção das secreções.

“A hidratação nasal também é extremamente importante, pois complementa a limpeza. A camada de gel umidifica a mucosa nasal por mais tempo, promovendo conforto para o nariz e intensificando este cuidado”, completa.

A especialista alerta que o nariz aquece e umidifica o ar inalado, além de filtrar as partículas e microrganismos, permitindo que chegue com as características necessárias aos pulmões.

“A respiração feita pelo nariz e de forma correta traz benefícios não só para que os órgãos do corpo trabalhem perfeitamente, mas também pode ajudar a controlar crises de ansiedade e estresse, renova e aumenta a energia do corpo, melhora a concentração e garante uma noite de sono tranquilo, além de prevenir todos os malefícios que podem ocorrer por meio da respiração oral”, comenta.

Com o aumento da temperatura, as partículas nocivas em suspensão no ar se deslocam de forma lenta e em casos de inversão térmica ficam aprisionadas pelo ar quente causando problemas respiratórios. Dra. Maura reforça que é necessária a adoção de outros cuidados para ajudar na prevenção das crises alérgicas.

“Lavar as mãos com frequência, beber água, evitar flores e plantas em casa, não ter objetos que acumulem poeira, como tapetes, cortinas, almofadas na residência são alguns cuidados que pessoas alérgicas podem tomar para prevenir as crises alérgicas respiratórias”.

Fonte: Folha Vitória

Na “dieta do hábito”, 6 dicas simples para se ter mais saúde em 2021

Na “dieta do hábito”, 6 dicas simples para se ter mais saúde em 2021

Para quem mais entende do assunto, dicas de profissional trazem saúde como solução, e não problema; veja quais hábitos praticar

“Fechar a boca”, “ir mais à academia”, “perder uns quilos”. Quase que um carma todo início de ano, as resoluções de saúde que surgem com a chegada de mais 12 meses de oportunidades para se praticar a mudança – seja ela qual for – às vezes só funcionam no papel. Na vida real, a preguiça acaba dominando a vontade de mudar. Porém, é necessário desacelerar e começar a focar naquilo que realmente importa.

Esta é a opinião de Gabriela Marcelino, a nutricionista de 27 anos doutoranda em Saúde. Para ela, um 2021 com mais saúde envolve pequenas mas grandes mudanças que não precisam ser tudo de uma vez, mas graduais. A começar por tirar o “detox” da cabeça.

“Simplesmente porque ele não funciona. Pelo menos não como as pessoas imaginam. Não existe isso de um ‘botão reset’ ou alimento milagroso. E não é por que você consome querendo eliminar algo que o seu corpo também vai trabalhar dessa forma”, afirma.

Para Gabi, o que mais se precisa é cultivar bons hábitos alimentares durante o ano todo e não apenas quando o “calo apertar”.

“O correto é ter de hoje aos próximos meses uma alimentação equilibrada e variada. Consumir frutas, hortaliças, leguminosas, cereais integrais e boas fontes de gordura devem ser feito diariamente e não apenas após exageros.

Confira outras 6 dicas valiosas para se ter mais saúde em 2021:

1) Consuma mais alimentos in natura
“Basicamente, coma mais frutas e vegetais (no mínimo 3 porções ao dia) em sua forma natural e fuja sempre dos alimentos ultraprocessados. Mas neste primeiro momento não se preocupe com as quantidades, o importante é incluir gradualmente novas opções e descobrindo outras mais. Minha dica é que a cada mês experimente algo novo e faça preparações diferentes daquilo que a princípio não gostou”, sugere a nutricionista.

2) Consuma mais água
“Manter-se hidratado é fundamental pois auxilia em todos os processos do nosso corpo. As pessoas limitam-se a beber água apenas quando sentem sede”, lamenta. Mas acrescenta: “lembre-se que sucos e chás não substituem a água no dia a dia, mas podem ajudar inicialmente”. Então, eis algumas sugestões de Gabriela de como consumir mais água na rotina:

– Coloque alarmes ao longo do dia;
– Tenha sempre uma garrafinha por perto;
– Inclua frutas e outras bebidas naturais;
– Experimenta água saborizada.

3) Organize a semana
“Não se esqueça de você! Você deve ser o seu principal compromisso. Organize a semana e inclua o autocuidado. Coloque na ponta do lápis o planejamento das refeições, o momento de ir às compras, de se exercitar e até mesmo ler um bom livro. Faça da organização um hábito”, comenta.

4) Fique em movimento
“Para o corpo e para a mente, valem os exercícios físicos e atividades para se manter em movimento”, pontua. Mas alerta: “não se limite apenas a tradicional academia! Opções como ioga, dança, corrida, ciclismo e caminhadas também são bem-vindas. Consulte um educador físico e faça tudo sempre certinho”.

5) Durma melhor
“De nada adianta tudo o que já foi falado sem uma boa noite de sono. Nosso corpo merece tempo de se recuperar, reorganizar e recarregar as energias para o novo dia”, garante. Aqui vão algumas dicas de Gabi:

– Estabeleça horários para dormir e acordar;
– Evite o consumo de cafeína no período da tarde;
– Não consuma alimentos pesados à noite;
– Pratique atividade física;
– Prepare o ambiente para uma noite de sono agradável;
– Evite ficar no celular ou notebook pelo menos 1 hora antes de deitar.

6) Persista
“Mudar hábitos antigos é difícil, afinal se trata de um processo. Mas, uma vez que se sai da zona de conforto, o resultado fica cada vez mais próximo. Faça um passo de cada vez! Não se cobre, julgue ou se baseie nos outros. Simplesmente persista”, finaliza.

Fonte: Campo Grande News