por CenterLab | jul 8, 2026 | Uncategorized
Hemograma e as anemias microcíticas: Índice de Mentzer e RDWI
Autor: Assessor Científico da Centerlab – Pedro Thadeu Rocha Salles
O hemograma automatizado é um exame acessível e indispensável na prática laboratorial. Apesar de sua execução simplificada pela tecnologia atual, ele fornece informações valiosas sobre o estado fisiológico do paciente. A diversidade de parâmetros avaliados permite estabelecer correlações críticas, favorecendo uma interpretação holística da saúde do indivíduo.
Entre esses parâmetros, destacam-se os relacionados às hemácias (eritrócitos) e ao seu principal componente funcional: a hemoglobina. Nos seres humanos e na maioria dos mamíferos, os eritrócitos são células anucleadas e altamente especializadas, responsáveis pelo transporte de gases respiratórios. A hemoglobina desempenha o papel central nesse processo, ligando-se ao oxigênio nos pulmões e ao dióxido de carbono nos tecidos, garantindo a manutenção das trocas gasosas essenciais à vida.
Qualquer interrupção nesse sistema é grave, pois compromete diretamente a oxigenação tecidual. Tecidos com alta demanda metabólica, como o sistema nervoso central e o miocárdio, são particularmente vulneráveis à hipóxia, podendo sofrer danos irreversíveis.
Diversas enfermidades que afetam a produção ou a estrutura das hemácias e da hemoglobina reduzem a capacidade de transporte de oxigênio. Essas alterações manifestam-se, predominantemente, como anemias ou hemoglobinopatias.
Embora essas condições compartilhem sintomas clínicos decorrentes da hipóxia, suas etiologias são distintas, variando de deficiências nutricionais a mutações genéticas, e exigem abordagens terapêuticas específicas. Dentre as alterações que causam a microcitose, destacam-se:
- Anemia Ferropriva: Uma anemia microcítica causada pela deficiência de ferro, caracterizada pela redução do VCM (Volume Corpuscular Médio) e tratada com a reposição do mineral.
- Talassemia Beta: Uma condição genética que compromete a síntese das cadeias de globina, também resultando em microcitose, mas que demanda manejo clínico voltado à doença de base, e não à suplementação de ferro.
Para auxiliar a distinção laboratorial entre essas patologias, utilizam-se índices matemáticos baseados nos dados do hemograma:
- Índice de Mentzer: Proposto por William C. Mentzer, é calculado pela fórmula:
> 13: Sugere Anemia Ferropriva.
< 13: Sugere Talassemia.
- RDWI (Red Blood Cell Distribution Width Index): Um índice derivado que combina o VCM, o RDW (amplitude de distribuição das hemácias) e a contagem de eritrócitos (RBC):
> 220: Sugere Anemia Ferropriva.
< 220: Sugere Talassemia Menor.
Estudos como os de Ehsani et al. (2009) e Ntaios et al. (2007) validam o Índice de Mentzer como uma ferramenta de triagem prática, acessível e de baixo custo. Mais recentemente, pesquisas voltadas ao RDWI, como as de El-Gendy et al. (2025) e Demir et al. (2017), demonstraram que esse índice apresenta maior acurácia diagnóstica em comparação ao uso isolado do RDW, alcançando, em alguns contextos, precisão de até 91,6%. Ainda assim, ressalta-se a necessidade de sua associação a exames complementares, como a eletroforese de hemoglobina e a dosagem de ferritina, a fim de se estabelecer um diagnóstico definitivo.
Na rotina laboratorial, a precisão desses cálculos depende da atenção do profissional. Buscando otimizar esse fluxo e reduzir erros manuais, a Nihon Kohden, em parceria com a Centerlab MG, traz ao Brasil o que há de mais avançado na tecnologia japonesa.
Os analisadores Celltac Alpha Plus (MEK-1305), Celltac G (MEK-9100) e Celltac G+ (MEK-9200) representam um avanço significativo na hematologia diagnóstica. Esses equipamentos, com diferenciação leucocitária em 3 e 5 partes, respectivamente, disponibilizam automaticamente no laudo índices como o de Mentzer e o RDWI, agregando valor à interpretação clínica.
ANALISADOR HEMATOLOGICO AUTOMATIZADO CELLTAC ALPHA PLUS MEK 1305
ANALISADOR HEMATOLOGICO AUTOMATIZADO CELLTAC G MEK-9100K

Diante disso, recomenda-se que os laboratórios que já dispõem desse recurso o utilizem de forma sistemática e promovam sua divulgação junto à equipe médica, uma vez que se trata de um diferencial clínico relevante e potencialmente útil na prática diagnóstica.
A automação desses índices elimina a necessidade de intervenção manual do operador, transformando o hemograma em uma ferramenta de triagem para anemias microcíticas muito mais poderosa, ágil e segura.
REFERÊNCIAS:
EHSANI, Mohammad Ali; SHAHGHOLI, Ebrahim; RAHIMI, Zahra; SEGHATCHIAN, Jerard. A new index for discrimination between iron deficiency anemia and beta-thalassemia minor: results in 284 patients. Pakistan Journal of Biological Sciences, v. 12, n. 5, p. 473–475, 2009.
NTAIOS, George; CHATZIKYRIAKOU, Eirini; SAOULIDIS, Nikolaos; GIRTOVITIS, Fotios; KONSTANTINIDIS, Ioannis. Discrimination indices as screening tests for beta-thalassemic trait. Annals of Hematology, v. 86, n. 7, p. 487–491, 2007.
URRECHAGA, Eloísa; BORQUE, Leticia; ESCANERO, Jesús F. The role of automated measurement of red cell subpopulations in the differential diagnosis of microcytic anemia. Anemia, v. 2011, Article ID 656738, 2011.
AHMED, S.; IQBAL, J.; KHAN, M. A. Diagnostic accuracy of red blood cell distribution width index to differentiate iron deficiency anemia and beta thalassemia trait in patients with borderline HbA2 levels. Pakistan Postgraduate Medical Journal, v. 34, n. 2, p. 85–90, 2023. Disponível em: https://ppmj.org.pk/index.php/ppmj/article/view/548. Acesso em: 20 mar. 2026.
EL-GENDY, M. M.; HASSAN, A. E.; ALI, R. M. Red cell distribution width index versus red cell distribution width as a discriminating guide for iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. Journal of Current Medical Research and Practice, v. 10, n. 1, p. 45–51, 2025. Disponível em: https://jcmrp.journals.ekb.eg/article_461385.html . Acesso em: 20 mar. 2026.
HASSAN, H. Y.; ABD EL-HAMID, S. M.; FAROUK, E. M. Mentzer index and red cell distribution width index in differentiation between iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. The Egyptian Journal of Haematology, v. 50, n. 1, p. 12–18, 2025. Disponível em: https://nchr.elsevierpure.com/en/publications/mentzer-index-and-red-cell-distribution-width-index-in-differenti. Acesso em: 20 mar. 2026.
DEMIR, A.; YILMAZ, F.; KAYA, H. The role of discriminant functions in differentiation of iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. Mediterranean Journal of Hematology and Infectious Diseases, v. 9, n. 1, e2017001, 2017. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5496298/. Acesso em: 20 mar. 2026.
por CenterLab | jul 8, 2026 | Uncategorized
Procalcitonina na Prática Clínica: Soluções em Point of Care Testing para Agilidade e Precisão no diagnóstico
Autor: Larissa Luana Dias Silva
A sepse permanece entre as principais causas de mortalidade hospitalar em todo o mundo, configurando-se como uma síndrome complexa resultante de uma resposta inflamatória sistêmica desregulada desencadeada por uma infecção. Quando não identificada e tratada precocemente, pode evoluir rapidamente para disfunção orgânica múltipla, choque séptico e óbito. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, a sepse está associada a mais de 11 milhões de mortes anuais, representando aproximadamente uma em cada cinco mortes registradas globalmente. Nesse cenário, a identificação precoce da infecção e a rápida instituição da terapia adequada são fatores determinantes para a redução da mortalidade e melhoria dos desfechos clínicos.
Dentre os biomarcadores atualmente disponíveis para o manejo da sepse, a procalcitonina (PCT) destaca-se por sua elevada utilidade clínica no diagnóstico e monitoramento de infecções bacterianas sistêmicas. A PCT é um pró-hormônio da calcitonina, fisiologicamente produzido pelas células C da glândula tireoide. Em indivíduos saudáveis, suas concentrações séricas permanecem muito baixas. Entretanto, durante processos infecciosos bacterianos, diversos tecidos do organismo passam a produzir procalcitonina em resposta à ação de endotoxinas bacterianas e citocinas pró-inflamatórias, resultando em aumento significativo de sua concentração circulante.
A principal vantagem diagnóstica da procalcitonina está relacionada à sua especificidade para infecções bacterianas. Diferentemente de outros marcadores inflamatórios, como a proteína C reativa (PCR), os níveis de PCT tendem a permanecer baixos em processos inflamatórios não infecciosos e em infecções virais, permitindo maior precisão na diferenciação entre causas da resposta inflamatória sistêmica. Dessa forma, a procalcitonina constitui uma ferramenta valiosa na avaliação de pacientes com suspeita de sepse, bacteremia e outras infecções graves.
Além de sua aplicação diagnóstica, a procalcitonina apresenta importante papel no monitoramento da resposta terapêutica. Estudos demonstram que seus níveis séricos apresentam estreita correlação com a gravidade da infecção e respondem rapidamente à eficácia do tratamento instituído. A redução progressiva da concentração de PCT durante o acompanhamento clínico pode indicar controle adequado do processo infeccioso, enquanto valores persistentemente elevados podem sugerir falha terapêutica ou evolução desfavorável do quadro clínico.
Outro aspecto de grande relevância refere-se ao uso da procalcitonina como ferramenta de apoio à antibioticoterapia racional. A utilização indiscriminada de antimicrobianos representa um dos principais desafios da saúde pública mundial, contribuindo para o aumento da resistência bacteriana, elevação dos custos assistenciais e maior incidência de eventos adversos relacionados aos medicamentos. Nesse contexto, protocolos baseados na dosagem seriada de procalcitonina têm demonstrado eficácia na orientação para início, manutenção ou suspensão do tratamento antimicrobiano, promovendo o uso mais racional dos antibióticos sem comprometer a segurança do paciente.
A incorporação da tecnologia Point of Care Testing (POCT) ampliou significativamente o potencial de utilização da procalcitonina na prática clínica. Os testes realizados à beira-leito permitem a obtenção de resultados em poucos minutos, eliminando a necessidade de encaminhamento das amostras para laboratórios centralizados e reduzindo o tempo necessário para tomada de decisões terapêuticas. Em situações de sepse, nas quais cada hora de atraso no início do tratamento está associada ao aumento do risco de mortalidade, a disponibilidade imediata dos resultados representa um diferencial clínico relevante.
Os sistemas POCT destinados à dosagem de procalcitonina utilizam tecnologia de imunofluorescência para identificação e quantificação do biomarcador em amostras de sangue total, soro ou plasma. A metodologia oferece elevada sensibilidade analítica, rapidez na execução e facilidade operacional, tornando-se uma alternativa eficiente para hospitais, unidades de pronto atendimento, serviços de urgência e laboratórios clínicos.
Entre as soluções disponíveis para realização do teste de procalcitonina por POCT destacam-se os analisadores Finecare Plus, Finecare Plus SE e Finecare FX1. Esses equipamentos foram desenvolvidos para oferecer resultados rápidos e confiáveis, contribuindo para maior agilidade diagnóstica e suporte à tomada de decisão clínica.
Finecare Plus
O Finecare Plus é um analisador portátil baseado em imunofluorescência, projetado para ambientes que necessitam de praticidade e rapidez na execução dos exames. O equipamento apresenta design compacto, operação simplificada, alimentação bivolt e conectividade por cabo, possibilitando sua utilização em diferentes cenários assistenciais.
Figura 1: Finecare Plus
Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-plus/
Finecare Plus SE
O Finecare Plus SE representa uma evolução tecnológica da plataforma, mantendo a portabilidade e simplicidade operacional, porém incorporando recursos adicionais de conectividade. O equipamento dispõe de conexão Wi-Fi e Bluetooth, além de bateria com autonomia de até 22 horas, proporcionando maior flexibilidade para utilização em ambientes com alta demanda de mobilidade.
Figura 2: Finecare Plus SE
Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-se/
Finecare FX1
O Finecare FX1 destaca-se pela elevada performance analítica e pelo menor tempo de processamento dos testes. Utilizando metodologia otimizada baseada em marcador de Európio e sistema One Step, o equipamento permite obtenção de resultados de procalcitonina em aproximadamente oito minutos. Além da conectividade sem fio e da autonomia estendida de bateria, apresenta excelente desempenho para aplicações que exigem rapidez e precisão diagnóstica.
Figura 3: Finecare FX1

Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-fx1/
A disponibilização de testes rápidos de procalcitonina por meio da tecnologia POCT representa um importante avanço na abordagem diagnóstica da sepse e das infecções bacterianas graves. Ao associar rapidez, precisão analítica e facilidade operacional, esses sistemas contribuem para diagnósticos mais precoces, otimização do uso de antimicrobianos e melhoria dos desfechos clínicos. Dessa forma, a integração de biomarcadores como a procalcitonina a plataformas Point of Care fortalece a segurança assistencial, aumenta a eficiência dos serviços de saúde e oferece suporte decisivo para uma medicina cada vez mais ágil, precisa e centrada no paciente.
Referências:
AZEVEDO, José Ribamar de Araújo; TORRES, Orlando Jorge Martins; CZECZKO, Nicolau Gregori; TUON, Felipe Francisco; NASSIF, Paulo Afonso Nunes; SOUZA, Gerson Deckmann de. Procalcitonina como biomarcador de prognóstico da sepse grave e choque séptico. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Rio de Janeiro, v. 39, n. 6, p. 456-461, 2012.
CARRILLO ESPER, Raúl; PÉREZ CALATAYUD, Ángel Augusto. Procalcitonina como marcador de procesos infecciosos en cirugía: conceptos actuales. Cirujano General, Ciudad de México, v. 35, n. 1, p. 49–55, 2013.
SOUTO-ROSILLO, María de Guadalupe; BASTIDA-GONZÁLEZ, Estefanía; VIDAL-SÁNCHEZ, Itzel Elizabeth. Procalcitonina en la práctica clínica. Medicina Interna de México, Cidade do México, v. 35, n. 6, p. 927-937, 2019.
MANRIQUE ABRIL, Fred; MENDEZ FANDIÑO, Yardany; HERRERA-AMAYA, Giomar; RODRIGUEZ, Johana; MANRIQUE-ABRIL, Ricardo. Uso de procalcitonina como diagnóstico de sepsis o shock séptico: revisión sistemática y metaanálisis. Infectio, Bogotá, v. 23, n. 2, p. 133–142, 2019.
JULIÁN JIMÉNEZ, Agustín; GARCÍA, Darío Eduardo; MERINOS SÁNCHEZ, Graciela; GARCÍA DE GUADIANA ROMUALDO, Luis; GONZÁLEZ DEL CASTILLO, Juan. Precisión diagnóstica de la procalcitonina para la bacteriemia en el servicio de urgencias: una revisión sistemática. Revista Española de Quimioterapia, v. 37, n. 1, p. 29-42, 2024.
por CenterLab | jun 9, 2026 | Uncategorized
O funcionamento de todos os organismos conhecidos baseia-se em interações químicas e moleculares, muitas vezes ocorrendo de forma discreta e imperceptível aos olhos humanos. Essas interações, altamente complexas, influenciam diretamente células, órgãos, sistemas e, consequentemente, o organismo como um todo.
Quando se torna necessária a investigação de alterações que afetam a saúde de um indivíduo, a análise desses sistemas moleculares passa a ser essencial. A quantificação de proteínas, hormônios, íons, metabólitos, colesterol, carboidratos e outros marcadores biológicos, assim como a identificação qualitativa e quantitativa desses compostos, permite indicar quais órgãos ou sistemas podem estar comprometidos, além de auxiliar os médicos veterinários na definição do tratamento mais adequado.
As análises voltadas a esses componentes moleculares foram denominadas análises bioquímicas, uma área que engloba diversos exames e metodologias distintas, tendo a fotometria associada ao uso de reagentes líquidos como uma das soluções mais amplamente utilizadas na prática clínica.
O modelo tradicional, composto por equipamentos semiautomáticos ou automáticos para análises colorimétricas e pela utilização de reagentes líquidos, metodologia conhecida como química úmida, apresenta elevada eficiência analítica, especialmente em laboratórios com alta demanda, proporcionando significativa economia operacional.
Entretanto, essa metodologia exige atenção constante a diversos fatores, como possíveis contaminações por arraste, substituição periódica de reagentes deteriorados, necessidade de lavagem das cubetas onde ocorrem as reações, calibrações dependentes de materiais calibradores e boas práticas relacionadas ao armazenamento, manejo e estabilidade dos reagentes.
Além dessas características inerentes à metodologia, os kits de reagentes também apresentam limitações frente a fatores pré-analíticos já conhecidos, como hemólise, mesmo em níveis mínimos, lipemia, icterícia e outros interferentes capazes de comprometer a qualidade analítica dos resultados.
Quando essas características são aplicadas à rotina de laboratórios de análises clínicas veterinárias, especialmente em hospitais e clínicas, observa-se que a prática da bioquímica clínica convencional torna-se ainda mais complexa. Nesse contexto, torna-se necessária mão de obra especializada tanto para a coleta das amostras, visando minimizar interferências pré-analíticas, quanto para a correta operação dos equipamentos.
O operador deve permanecer constantemente atento à necessidade de troca de reagentes, calibração individual de cada parâmetro, manutenção das cubetas, riscos de contaminação por arraste e demais cuidados inerentes à metodologia, garantindo, assim, a confiabilidade e a qualidade dos resultados obtidos.
Com o avanço tecnológico, novas metodologias surgiram para contornar algumas das limitações da química úmida. Entre elas, destaca-se a química seca, tecnologia já consolidada e comercialmente viável. Esse método utiliza equipamentos de análise colorimétrica com reagentes individuais impregnados em cartões de teste sólidos, eliminando a necessidade de cubetas de reação e reduzindo significativamente etapas operacionais.
Figura 1: Exemplo de cartão de teste para química seca.

Fonte: https://www.fujifilm.com/
Além disso, os cartões de teste contam com filtros capazes de minimizar interferências causadas por hemólise, lipemia e icterícia, proporcionando excelente reprodutibilidade analítica. Outro diferencial importante é a pré-calibração em lote, na qual basta realizar a leitura de um QR Code para que os parâmetros da curva de calibração sejam automaticamente transferidos e reconhecidos pelo equipamento.
Esses sistemas também necessitam de volumes reduzidos de amostra, geralmente em torno de 10 µL por teste, tornando-se ideais para laboratórios nos quais recoletas são inviáveis ou limitadas. Essa característica é especialmente relevante na medicina veterinária, onde pequenos animais frequentemente resultam em amostras de baixo volume, fazendo com que cada gota seja fundamental para a realização dos exames.
Pensando nesse cenário e nas necessidades específicas desse público, a Centerlab, em parceria com a Fujifilm, trouxe ao Brasil o NX600 VET, uma solução japonesa de química seca que alia alta qualidade analítica, ensaios pré-calibrados e operação simplificada.
Figura 2: NX600

Fonte: https://www.fujifilm.com/
O equipamento utiliza apenas 10 µL de amostra para testes colorimétricos e 50 µL para o perfil de íons por eletrodo seletivo (Na, K e Cl), tornando-se ideal para a rotina veterinária, especialmente em espécies de pequeno porte. Sua interface embarcada foi desenvolvida para oferecer uma operação intuitiva e simplificada, na qual basicamente dois comandos são suficientes para realizar uma análise bioquímica completa.
Além disso, o equipamento dispensa a necessidade de esgoto líquido, com parâmetros pré calibrados e possui dimensões compactas, comparáveis ao tamanho de um monitor de computador, facilitando sua instalação em clínicas e hospitais veterinários de diferentes portes.
Essa solução permite ampliar o acesso às análises bioquímicas em espécies pequenas, oferecendo mais praticidade, confiabilidade e agilidade na rotina laboratorial. A qualidade dos cartões de teste também possibilita a análise de amostras com interferências pré-analíticas, reduzindo a necessidade de recoletas e proporcionando menos estresse ao animal e ao tutor, além de maior produtividade, qualidade analítica e excelente custo-benefício.
Caso queira conhecer mais sobre a tecnologia de química seca, a Centerlab está à disposição. Entre em contato com nosso especialista pelo telefone +55 31 9948-1653.
por CenterLab | mar 17, 2026 | Uncategorized
Aumentar o diagnóstico precoce de câncer de intestino, garantir mais qualidade de vida aos pacientes e ampliar a margem de cura são os principais objetivos da campanha Março Azul, edição 2025, promovida pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) e pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). A proposta da organização da campanha é reforçar a recomendação de exames para a detecção precoce do câncer de intestino a partir dos 45 anos, idade já adotada por sociedades internacionais, como a American Cancer Society. No Brasil, o rastreio é direcionado para as pessoas na faixa etária dos 50 anos.
A campanha, que traz como tema “Chegou a Hora de Salvar a Sua Vida”, alerta homens e mulheres sobre a importância do cuidado preventivo. O câncer de intestino, também chamado de colorretal e colón, é o segundo mais comum, ficando atrás somente dos cânceres de mama e de próstata – excluindo o câncer de pele não melanoma. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima cerca de 45 mil novos casos para este ano.
“Ainda que o câncer de intestino seja uma das doenças mais frequentes e fatais no país, 65% dos casos são diagnosticados em fase avançada. Quando identificado em estágio inicial, o câncer de intestino tem até 90% de chance de cura”, afirma Marcelo Averbach, um dos coordenadores da campanha nacional.
O Março Azul, reforça também a importância da parceria entre médicos, associações, instituições governamentais, pacientes para a execução de medidas preventivas e amplia o público-alvo da campanha. Além das ações de mobilização, o site oficial da campanha (www.marcoazul.org.br) e o perfil no Instagram (@campanhamarcoazul) são pontos de referência, com informações sobre fatores de risco, prevenção, métodos de diagnóstico e opções de tratamento.
Prevenção e diagnóstico:
O câncer de intestino pode ser diagnosticado e prevenido por meio de exames, como o teste de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia. “Na literatura médica, há cada vez mais evidências do aumento significativo de novos casos de câncer do intestino entre pacientes com menos de 50 anos, e a mortalidade nessa faixa etária também tem aumentado. Assim, diversas sociedades no mundo passaram a recomendar os exames diagnósticos mais cedo, aos 45 anos, o que passamos a adotar e a fazer o alerta”, ressalta o presidente da SBCP, Sérgio Eduardo Alonso Araújo.
O câncer de intestino pode ser influenciado por diversos fatores de risco como histórico familiar, sobrepeso, alimentação inadequada e tabagismo, bem como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Adotar um estilo de vida mais saudável pode reduzir significativamente as chances de desenvolvimento da doença, o que inclui uma dieta rica em frutas, verduras e cereais integrais, além da prática regular de atividades físicas. Os cuidados com a saúde, no entanto, não dispensam a realização dos exames preventivos.
O diagnóstico tardio não apenas reduz as chances de cura dos pacientes, como gera aumento no custo para o sistema de saúde. “Cada atraso no diagnóstico é prejudicial em dois aspectos: além de diminuir significativamente as chances de cura, impõe um custo ainda maior ao nosso sistema de saúde. Por isso, sem dúvidas, a detecção precoce é a estratégia mais eficaz para salvar vidas e evitar a escalada de intervenções onerosas e invasivas”, destaca Eduardo Guimarães Hourmeaux, presidente da SOBED.
Conscientização:
Nos últimos anos, a campanha alcançou um público estimado de 93 milhões de pessoas no Brasil, com o apoio da mídia, de artistas e influenciadores, além da iluminação de monumentos em azul, um gesto simbólico que uniu o país na luta contra o câncer de intestino. Em 2025, a meta é ampliar ainda mais esse alcance por meio de palestras, mutirões, eventos, entre outras ações.
A iniciativa Março Azul teve início em 2021 e já contou com o envolvimento de centenas de parceiros institucionais ao longo de cada edição. No ano passado, por exemplo, mais de 125 parceiros apoiaram a causa, entre eles instituições como a Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM) e outras entidades médicas nacionais, além do Conselho Nacional de Justiça, Congresso Nacional, prefeituras, governos estaduais, entre outras.
Além disso, diversas personalidades e celebridades emprestaram sua imagem e voz para o esforço de conscientização na luta contra o câncer de intestino. Os depoimentos também se somaram aos milhares de reportagens e entrevistas com médicos especialistas, que mostraram aos brasileiros a importância da prevenção e dos cuidados regulares.
Referências: bvsms.saude.gov.br, Chegou a Hora de Salvar a Sua Vida” : Março Azul – Mês de Prevenção do Câncer de Intestino. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/chegou-a-hora-de-salvar-a-sua-vida-marco-azul-mes-de-prevencao-do-cancer-de-intestino/. Acesso em: 17 mar 2026
por CenterLab | mar 10, 2026 | Uncategorized
Confira informações importantes sobre a doença e saiba como se prevenir.
O que é câncer do colo do útero?
É um tumor (multiplicação anormal das células) que se desenvolve na parte inferior do útero, chamada “colo”, que fica no fundo da vagina.
O que causa essa doença?
A infecção pelo vírus HPV (Papiloma Vírus Humano), é transmitido na relação sexual. A maioria das pessoas tem contato com esse vírus ao longo da vida, mas quase sempre ele é eliminado naturalmente. Se a infecção persistir, após vários anos podem aparecer lesões que, se não tratadas, podem causar câncer. Mulheres que fumam têm maior chance de ter câncer do colo do útero, pois o fumo facilita a infecção pelo HPV.
E o que as mulheres podem sentir?
No início, as mulheres não sentem nada. Mais tarde, podem aparecer sangramentos fora do período menstrual, dor e corrimentos. Esses sintomas são também comuns a outras doenças. Caso apresente algum desses sintomas, procure o serviço de saúde.
É possível prevenir o câncer do colo do útero?
Sim! Por meio da vacinação contra o HPV, antes do início da vida sexual, e do exame preventivo (Papanicolau). O uso do preservativo (camisinha) contribui para reduzir a transmissão do HPV. Essa proteção não é total, pois o vírus passa no contato íntimo durante as relações sexuais, mesmo sem penetração e entre pessoas do mesmo sexo.
Quem deve tomar a vacina contra o HPV?
Meninas e meninos de 9 a 14 anos, pois a proteção nesses grupos é maior do que em adultos. A vacina protege contra os principais tipos de HPV causadores do câncer do colo do útero, mas não todos. Portanto, é necessário que a mulher, mesmo vacinada, faça o exame preventivo na faixa de idade recomendada e use camisinha durante as relações sexuais.
O que é o exame preventivo?
É o exame que identifica possíveis lesões causadas pelo HPV. É colhido material do colo do útero e enviado para análise no laboratório. O exame é simples e rápido. Em alguns casos, pode causar algum incômodo.
Quem deve fazer o exame preventivo?
Mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual.
De quanto em quanto tempo o exame deve ser feito?
Como a evolução da lesão até o câncer é lenta, o exame pode ser feito a cada três anos.
Por que antes de 25 anos as mulheres não precisam fazer o exame?
Até essa idade, o câncer do colo do útero é raro, e as lesões mais frequentes causadas pelo HPV são as que se curam sem tratamento.
E após os 64 anos?
As mulheres poderão deixar de fazer o exame preventivo se pelo menos os dois últimos resultados tiverem sido normais. Entretanto, a consulta ginecológica continuará importante para avaliar outras doenças.
Onde encontrar a vacina?
A vacina e o exame preventivo estão disponíveis na unidade básica de saúde próxima de sua casa. Tão importante quanto fazer o exame é buscar o resultado.
Referências: gov.br, Março Lilás: mês de prevenção ao câncer de colo de útero. Disponível em: https://www.mpgo.mp.br/porthttps://www.gov.br/ibc/pt-br/assuntos/noticias/marco-lilas-mes-de-prevencao-ao-cancer-de-colo-de-uteroal/conteudo/fevereiro-roxo-o-mes-de-alerta-sobre-alzheimer-lupus-e-fibromialgia. Acesso em: 10 mar 2026
por CenterLab | mar 5, 2026 | Uncategorized
Autor: Larissa Luana Dias Silva
A hemocultura constitui um exame fundamental na prática da microbiologia clínica, sendo realizada com o objetivo de identificar a presença de microrganismos na corrente sanguínea. Sua relevância diagnóstica é amplamente reconhecida, uma vez que infecções na corrente sanguínea estão associadas a elevadas taxas de morbimortalidade, especialmente nos casos de sepse. Nesse contexto, o laboratório de análises clínicas exerce papel decisivo na condução terapêutica, pois a detecção de hemoculturas positivas permite a identificação do agente etiológico e subsidia a escolha adequada da antibioticoterapia.
A presença de microrganismos viáveis no sangue pode ocorrer em situações de disfunção imunológica ou ruptura de barreiras naturais do organismo. Na sepse, é comum a presença contínua e persistente de patógenos circulantes, tornando a hemocultura o exame primordial para confirmação diagnóstica e monitoramento clínico.
Sob a perspectiva operacional, a hemocultura manual baseia-se na incubação dos frascos por um período mínimo de sete dias, com homogeneizações periódicas para favorecer o crescimento microbiano. A positividade é tradicionalmente verificada por inspeção visual da turvação do meio ou por meio de repiques cegos em intervalos predeterminados. Quando identificado crescimento, torna-se necessário realizar subcultivo imediato e preparo de lâmina para microscopia com coloração de Gram. Esse processo demanda intensa intervenção técnica, vigilância constante e elevado nível de expertise profissional.
Apesar de historicamente consolidado, o método manual apresenta limitações importantes, como maior tempo para liberação de resultados, maior risco de contaminação durante a manipulação, variabilidade de interpretação e aumento da carga de trabalho da equipe técnica. Além disso, o processo depende de inspeção visual frequente e repicagens, o que eleva o consumo de insumos e a exposição ocupacional a agentes biológicos.
Em contraste, os sistemas automatizados de hemocultura representam avanço significativo ao permitir monitoramento contínuo das amostras incubadas. Quando há presença de microrganismos viáveis no frasco inoculado, ocorre produção de dióxido de carbono (CO₂), detectado automaticamente pelo equipamento por meio de sensores específicos. Essa tecnologia possibilita maior sensibilidade analítica, redução do tempo para positividade e diminuição da intervenção manual, contribuindo para maior padronização e confiabilidade dos resultados.
Os sistemas automatizados de hemocultura permitem o monitoramento contínuo das amostras e a detecção automática da produção de CO₂ por microrganismos viáveis, aumentando a sensibilidade e reduzindo o tempo para positividade. A automatização diminui a intervenção manual, reduz erros e contaminações, otimiza recursos e favorece diagnóstico mais rápido, antibioticoterapia direcionada e melhores desfechos clínicos, além de proporcionar economia financeira ao reduzir a necessidade de repetição de exames, demanda de mão de obra e tempo de internação, com maior giro de leitos.
Durante o período do estudo, conduzido em um laboratório da região sudoeste do Paraná entre o início de outubro de 2010 e o final de setembro de 2012, foram realizadas 1.403 hemoculturas. Destas, 1.308 (93,2%) apresentaram resultado negativo e 95 (6,8%) resultado positivo. No intervalo compreendido entre outubro de 2010 e setembro de 2011, quando foi empregado o método manual, foram processadas 550 hemoculturas, das quais 13 (2,4%) foram positivas. Já entre outubro de 2011 e setembro de 2012, período em que se adotou o método automatizado, foram realizadas 853 hemoculturas, com 82 (9,6%) resultados positivos. A análise comparativa evidencia maior taxa de positividade no método automatizado em relação ao método manual (2,4% versus 9,6%), constatando maior sensibilidade diagnóstica do sistema automatizado.

Diante desse cenário, a automatização das hemoculturas representa não apenas um avanço técnico-científico, mas também uma estratégia institucional voltada à qualidade assistencial e à sustentabilidade econômica. Ao integrar maior rapidez diagnóstica, padronização de processos, redução de riscos ocupacionais e otimização de recursos humanos, os sistemas automatizados contribuem para decisões clínicas mais assertivas e para a redução da mortalidade associada às infecções da corrente sanguínea, agregando valor ao laboratório e à instituição de saúde como um todo.
Como exemplo de sistema automatizado, o BACT ALERT 3D destaca-se por sua capacidade de armazenar 120 frascos simultaneamente, permitindo a realização de culturas de sangue, outros fluidos corporais estéreis e micobactérias em um mesmo equipamento. O sistema utiliza tecnologia de detecção colorimétrica associada à presença de resina de adsorção polimérica nos frascos, possibilitando a neutralização parcial de antibióticos presentes na amostra. Apresenta ainda alarme visual e sonoro para frascos positivos, detecção de crescimento de bactérias e leveduras em aproximadamente 8 a 12 horas de incubação em muitos casos, além de operação simplificada e baixa necessidade de manutenção.
Figura 1: Plataformas BACT ALERT 3D

Fonte: https://www.biomerieux.com/br/pt.html
Com o objetivo de oferecer serviços de excelência e fortalecer a segurança diagnóstica, a Centerlab e a bioMérieux, líder mundial em diagnóstico in vitro, anunciam uma nova parceria estratégica voltada à ampliação do acesso a equipamentos automatizados de hemocultura. A partir dessa união, os sistemas automatizados de hemocultura passam a integrar o portfólio da Centerlab, agregando tecnologia de ponta para detecção rápida e confiável de infecções na corrente sanguínea. A iniciativa amplia e fortalece a oferta de soluções completas em microbiologia, promovendo maior eficiência laboratorial, otimização de processos e suporte especializado. Como resultado dessa iniciativa, as empresas reforçam seu compromisso com a excelência diagnóstica, contribuindo para decisões clínicas mais ágeis e assertivas, além de impactar positivamente a qualidade assistencial e a segurança do paciente.
REFERÊNCIAS:
– BERLITZ, F. A. Controle da qualidade no laboratório clínico: alinhando melhoria de processos, confiabilidade e segurança do paciente. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial. 2010;46(5):353–363.
– GUAREZE, G. M.; BORDIGNON, J. C. Estudo comparativo entre hemocultura automatizada e manual em um laboratório do sudoeste do Paraná, Brasil. Instituto Federal do Paraná, Pato Branco, PR, 2016.
Página 1 de 1012345...10...»Última »