Janeiro Branco: saúde mental começa nos novos hábitos

Janeiro Branco: saúde mental começa nos novos hábitos

Médico Rafael Coelho: “Janeiro Branco é mais do que uma campanha simbólica no calendário. É um convite coletivo para repensar como estamos cuidando da nossa saúde mental em um mundo cada vez mais acelerado, hiperconectado e exigente. Embora o tema seja frequentemente associado ao cuidado psicológico, existe uma dimensão essencial que ainda recebe pouca atenção: a forma como o corpo, o metabolismo e os hábitos cotidianos influenciam diretamente o equilíbrio emocional”.

A saúde mental não começa apenas nos pensamentos. Ela é construída a partir do funcionamento do organismo como um todo. O cérebro depende de energia, nutrientes, sono reparador e estabilidade hormonal para desempenhar suas funções de forma adequada. Quando esses pilares estão fragilizados, o impacto aparece no humor, na concentração, na memória, na motivação e na forma como lidamos com o estresse.

Alimentação
 – Um dos grandes desafios de 2026 é o estilo de vida moderno. Alimentação desorganizada, excesso de produtos ultraprocessados, longos períodos em jejum não planejado ou, ao contrário, consumo constante de açúcar e estimulantes criam oscilações metabólicas que afetam diretamente o sistema nervoso. O resultado é uma sensação persistente de cansaço, irritabilidade e dificuldade de foco, muitas vezes interpretada apenas como ansiedade ou estresse emocional.

Intestino – O intestino ocupa papel central nessa relação. Ele participa ativamente da produção de substâncias ligadas ao bem-estar, como serotonina e dopamina. Quando a saúde intestinal é negligenciada, seja por má alimentação, estresse crônico ou uso excessivo de medicamentos, o reflexo aparece na saúde mental. Cuidar do que se come é, portanto, uma forma direta de cuidar da mente.

Sono – Outro fator determinante é o sono. Dormir mal deixou de ser exceção e passou a ser regra. A privação de sono compromete a regulação emocional, aumenta a produção de hormônios do estresse e reduz a capacidade do cérebro de lidar com desafios simples do dia a dia. Em um cenário onde produtividade é confundida com exaustão, resgatar o valor do sono é um dos atos mais importantes de autocuidado.

Treinos – A atividade física também precisa ser ressignificada. Ela não deve ser vista apenas como obrigação estética ou desempenho esportivo. Movimento regular melhora a circulação cerebral, regula neurotransmissores, reduz inflamação e funciona como um antidepressivo natural. Pequenas rotinas consistentes são mais eficazes para a saúde mental do que treinos intensos e irregulares.

Sol
 – Há ainda hábitos simples, mas poderosos, frequentemente ignorados. Exposição diária à luz natural, contato com ambientes externos, pausas conscientes ao longo do dia e redução do tempo excessivo em telas ajudam a reorganizar o ritmo biológico e diminuem a sobrecarga mental. O corpo humano não foi projetado para funcionar o tempo todo em estado de alerta.

Outro ponto fundamental é compreender que saúde mental não se constrói com soluções imediatistas. Não existe fórmula rápida, suplemento isolado ou estratégia única que resolva um problema que é multifatorial. O verdadeiro cuidado nasce da constância, da previsibilidade e da coerência entre o que se deseja para a saúde e o modo como se vive. Janeiro Branco 2026 propõe exatamente isso: ampliar a consciência. Olhar para a saúde mental de forma integrada, entendendo que emoções, pensamentos e comportamentos estão profundamente conectados ao corpo. Um novo estilo de vida saudável começa quando se reconhece que equilíbrio emocional é consequência de escolhas diárias sustentáveis, e não apenas da ausência de diagnósticos. Cuidar da mente é cuidar da rotina, do que se come, de como se dorme, de quanto se move e da forma como se ocupa o tempo. É nesse conjunto silencioso de hábitos que a saúde mental se fortalece, não apenas em janeiro, mas ao longo de todo o ano.


Referências:
Folha de Pernabunco – Por Médico Rafael Coelho 06/01/26 às 06H00 atualizado em 06/01/26 às 06H00

O exercício físico mexe profundamente no metabolismo

O exercício físico mexe profundamente no metabolismo

Cientistas se surpreendem com o tamanho da influência do esforço físico nas funções corporais.

Por Theo Ruprecht – Atualizado em 16 Maio 2020, 19h17 – Publicado em 15 Maio 2020, 14h01

Há um mar de minúsculas moléculas que trafegam por nossas veias e artérias, cada qual com suas tarefas. Imagine então quão complicado é compreender o papel das atividades físicas na produção e na interação delas com o organismo. Mas essa missão não assustou pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália.

Em um empreendimento sem precedentes, eles recrutaram 52 soldados e avaliaram aproximadamente 200 substâncias diferentes no sangue de cada um antes e depois de um regime de treinos. “Escolhemos esses voluntários porque eles vivem no mesmo lugar [no quartel], têm os mesmos hábitos de sono, exercem o mesmo trabalho e comem a mesma comida”, explica o cardiologista John O’Sullivan, orientador da investigação.

Em situações controladas como essa, é possível descartar a influência de outros hábitos e verificar a real magnitude do efeito dos exercícios. E, pelo visto, ela é enorme. Segundo a investigação, 80 dias de musculação e práticas aeróbicas interferiram na capacidade de queima de gordura, na saúde dos vasos sanguíneos, na população de bactérias benéficas que habitam o intestino, na regulação de neurotransmissores por trás da sensação de bem-estar…

“Os resultados mostram que as adaptações do metabolismo promovidas pela atividade física são muito mais intensas do que reportado anteriormente”, conclui O’Sullivan.

Múltiplos benefícios

Investigações como essa deixam claro quão inadequado é comparar o potencial do exercício com o de um ou outro medicamento. “A influência da atividade física no metabolismo vai além de só regular a pressão ou só ajudar a emagrecer”, afirma O’Sullivan. “Ela tem um papel central na prevenção de diversas doenças cardiovasculares”, arremata.

Em outras palavras, a ideia de termos um comprimido que reúna todas as vantagens de uma vida ativa não passa de brincadeira. A malhação vem ganhando protagonismo mesmo no tratamento de várias enfermidades. Sabe-se, por exemplo, que mexer o corpo é um dos jeitos mais eficazes de combater a fadiga decorrente do câncer e da quimioterapia, ao mesmo tempo que parece reduzir o risco do surgimento de um segundo tumor lá na frente.

Pois é: para manter o organismo em pleno funcionamento, você precisa sair do sofá.

Fonte: Veja Saúde