por CenterLab | jul 8, 2026 | Uncategorized
Hemograma e as anemias microcíticas: Índice de Mentzer e RDWI
Autor: Assessor Científico da Centerlab – Pedro Thadeu Rocha Salles
O hemograma automatizado é um exame acessível e indispensável na prática laboratorial. Apesar de sua execução simplificada pela tecnologia atual, ele fornece informações valiosas sobre o estado fisiológico do paciente. A diversidade de parâmetros avaliados permite estabelecer correlações críticas, favorecendo uma interpretação holística da saúde do indivíduo.
Entre esses parâmetros, destacam-se os relacionados às hemácias (eritrócitos) e ao seu principal componente funcional: a hemoglobina. Nos seres humanos e na maioria dos mamíferos, os eritrócitos são células anucleadas e altamente especializadas, responsáveis pelo transporte de gases respiratórios. A hemoglobina desempenha o papel central nesse processo, ligando-se ao oxigênio nos pulmões e ao dióxido de carbono nos tecidos, garantindo a manutenção das trocas gasosas essenciais à vida.
Qualquer interrupção nesse sistema é grave, pois compromete diretamente a oxigenação tecidual. Tecidos com alta demanda metabólica, como o sistema nervoso central e o miocárdio, são particularmente vulneráveis à hipóxia, podendo sofrer danos irreversíveis.
Diversas enfermidades que afetam a produção ou a estrutura das hemácias e da hemoglobina reduzem a capacidade de transporte de oxigênio. Essas alterações manifestam-se, predominantemente, como anemias ou hemoglobinopatias.
Embora essas condições compartilhem sintomas clínicos decorrentes da hipóxia, suas etiologias são distintas, variando de deficiências nutricionais a mutações genéticas, e exigem abordagens terapêuticas específicas. Dentre as alterações que causam a microcitose, destacam-se:
- Anemia Ferropriva: Uma anemia microcítica causada pela deficiência de ferro, caracterizada pela redução do VCM (Volume Corpuscular Médio) e tratada com a reposição do mineral.
- Talassemia Beta: Uma condição genética que compromete a síntese das cadeias de globina, também resultando em microcitose, mas que demanda manejo clínico voltado à doença de base, e não à suplementação de ferro.
Para auxiliar a distinção laboratorial entre essas patologias, utilizam-se índices matemáticos baseados nos dados do hemograma:
- Índice de Mentzer: Proposto por William C. Mentzer, é calculado pela fórmula:
> 13: Sugere Anemia Ferropriva.
< 13: Sugere Talassemia.
- RDWI (Red Blood Cell Distribution Width Index): Um índice derivado que combina o VCM, o RDW (amplitude de distribuição das hemácias) e a contagem de eritrócitos (RBC):
> 220: Sugere Anemia Ferropriva.
< 220: Sugere Talassemia Menor.
Estudos como os de Ehsani et al. (2009) e Ntaios et al. (2007) validam o Índice de Mentzer como uma ferramenta de triagem prática, acessível e de baixo custo. Mais recentemente, pesquisas voltadas ao RDWI, como as de El-Gendy et al. (2025) e Demir et al. (2017), demonstraram que esse índice apresenta maior acurácia diagnóstica em comparação ao uso isolado do RDW, alcançando, em alguns contextos, precisão de até 91,6%. Ainda assim, ressalta-se a necessidade de sua associação a exames complementares, como a eletroforese de hemoglobina e a dosagem de ferritina, a fim de se estabelecer um diagnóstico definitivo.
Na rotina laboratorial, a precisão desses cálculos depende da atenção do profissional. Buscando otimizar esse fluxo e reduzir erros manuais, a Nihon Kohden, em parceria com a Centerlab MG, traz ao Brasil o que há de mais avançado na tecnologia japonesa.
Os analisadores Celltac Alpha Plus (MEK-1305), Celltac G (MEK-9100) e Celltac G+ (MEK-9200) representam um avanço significativo na hematologia diagnóstica. Esses equipamentos, com diferenciação leucocitária em 3 e 5 partes, respectivamente, disponibilizam automaticamente no laudo índices como o de Mentzer e o RDWI, agregando valor à interpretação clínica.
ANALISADOR HEMATOLOGICO AUTOMATIZADO CELLTAC ALPHA PLUS MEK 1305
ANALISADOR HEMATOLOGICO AUTOMATIZADO CELLTAC G MEK-9100K

Diante disso, recomenda-se que os laboratórios que já dispõem desse recurso o utilizem de forma sistemática e promovam sua divulgação junto à equipe médica, uma vez que se trata de um diferencial clínico relevante e potencialmente útil na prática diagnóstica.
A automação desses índices elimina a necessidade de intervenção manual do operador, transformando o hemograma em uma ferramenta de triagem para anemias microcíticas muito mais poderosa, ágil e segura.
REFERÊNCIAS:
EHSANI, Mohammad Ali; SHAHGHOLI, Ebrahim; RAHIMI, Zahra; SEGHATCHIAN, Jerard. A new index for discrimination between iron deficiency anemia and beta-thalassemia minor: results in 284 patients. Pakistan Journal of Biological Sciences, v. 12, n. 5, p. 473–475, 2009.
NTAIOS, George; CHATZIKYRIAKOU, Eirini; SAOULIDIS, Nikolaos; GIRTOVITIS, Fotios; KONSTANTINIDIS, Ioannis. Discrimination indices as screening tests for beta-thalassemic trait. Annals of Hematology, v. 86, n. 7, p. 487–491, 2007.
URRECHAGA, Eloísa; BORQUE, Leticia; ESCANERO, Jesús F. The role of automated measurement of red cell subpopulations in the differential diagnosis of microcytic anemia. Anemia, v. 2011, Article ID 656738, 2011.
AHMED, S.; IQBAL, J.; KHAN, M. A. Diagnostic accuracy of red blood cell distribution width index to differentiate iron deficiency anemia and beta thalassemia trait in patients with borderline HbA2 levels. Pakistan Postgraduate Medical Journal, v. 34, n. 2, p. 85–90, 2023. Disponível em: https://ppmj.org.pk/index.php/ppmj/article/view/548. Acesso em: 20 mar. 2026.
EL-GENDY, M. M.; HASSAN, A. E.; ALI, R. M. Red cell distribution width index versus red cell distribution width as a discriminating guide for iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. Journal of Current Medical Research and Practice, v. 10, n. 1, p. 45–51, 2025. Disponível em: https://jcmrp.journals.ekb.eg/article_461385.html . Acesso em: 20 mar. 2026.
HASSAN, H. Y.; ABD EL-HAMID, S. M.; FAROUK, E. M. Mentzer index and red cell distribution width index in differentiation between iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. The Egyptian Journal of Haematology, v. 50, n. 1, p. 12–18, 2025. Disponível em: https://nchr.elsevierpure.com/en/publications/mentzer-index-and-red-cell-distribution-width-index-in-differenti. Acesso em: 20 mar. 2026.
DEMIR, A.; YILMAZ, F.; KAYA, H. The role of discriminant functions in differentiation of iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. Mediterranean Journal of Hematology and Infectious Diseases, v. 9, n. 1, e2017001, 2017. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5496298/. Acesso em: 20 mar. 2026.
por CenterLab | ago 20, 2025 | Uncategorized
O que é anemia?
A anemia é caracterizada por uma redução nos níveis de hemoglobina, proteína encontrada nas hemácias do sangue, responsável por transportar oxigênio pelo corpo. Como resultado, diversos órgãos e tecidos podem ser afetados pela falta de oxigenação, manifestando-se através de diversos sintomas de alerta.
Para entender melhor o conceito de anemia, seus tipos, causas, manifestações e tratamentos, algumas definições são necessárias.
- o sangue é composto por plasma e células em suspensão: o plasma é formado por água, na qual se dissolvem várias substâncias químicas que incluem proteínas, hormônios, minerais, vitaminas e anticorpos
- as células do sangue são os glóbulos vermelhos, as plaquetas e os glóbulos brancos, responsáveis, respectivamente, por transportar oxigênio, agir na prevenção de hemorragias (sangramentos exagerados) e defender nosso organismo contra infecções
Sintomas
Como o sangue circula por todo o corpo, as consequências da anemia podem se manifestar com um conjunto amplo de sintomas e sinais, que incluem:
- palidez
- cansaço
- desânimo
- sonolência
- palpitações
- dor de cabeça
- perda da capacidade de concentração
- irritabilidade
Diagnóstico
O diagnóstico de anemia normalmente é realizado com o suporte de um profissional da saúde e, de modo geral, inclui:
- perguntas sobre os sintomas que o paciente apresenta e seu histórico familiar para, assim, com o auxílio de um exame físico, verificar sinais de anemia
- hemograma completo, ou seja, um teste que mede a quantidade de diferentes componentes do sangue, como hemoglobina, glóbulos vermelhos e plaquetas
Os glóbulos vermelhos representam quase 50% do volume do sangue. Eles são preenchidos por uma proteína chamada hemoglobina (responsável pelo transporte de oxigênio a partir dos pulmões até diversos lugares do organismo).
Já as plaquetas são estruturas pequenas (1/10 do tamanho dos glóbulos vermelhos) que auxiliam o organismo a controlar hemorragias. Por exemplo, no caso de um ferimento, as plaquetas formam uma espécie de “rolha” no local onde determinado vaso sanguíneo foi rompido.
Tratamento
Quando a anemia é causada por carência de nutrientes, eles podem ser repostos por meio de suplementos como sulfato ferroso e vitaminas, além de uma dieta rica em ferro e ácido fólico.
Já em casos de doenças relacionadas a fabricação do sangue por insuficiência de produção (anemia aplástica) ou defeito de produção, como nas leucemias e mielodisplasia, será necessário um tratamento específico e acompanhamento frequente de um profissional da saúde.
As anemias por destruição de glóbulos vermelhos de causa imune são tratadas por imunossupressores.
As alterações genéticas como Talassemia Maior e Anemia falciforme tem que ser acompanhadas por profissional habilitado.
Prevenção
A prevenção da anemia carencial envolve adotar hábitos e práticas que promovem a saúde geral e evitam deficiências nutricionais. Manter uma dieta rica em nutrientes é indispensável, e isso inclui peixes, ovos, laticínios, legumes, grãos integrais, frutas cítricas e vegetais verdes folhosos.
No caso das anemias de natureza genética, cabe especial atenção à história familiar para a correta orientação e aconselhamento.
Referências: Glossário da saúde – Einsten
por CenterLab | abr 9, 2025 | Uncategorized
A anemia é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma condição na qual a hemoglobina está abaixo do normal resultando em carência de um ou mais nutrientes essenciais. Considerada como um sinal secundário de alguma doença base, podendo ser decorrentes de múltiplas causas.
Cada tipo de anemia tem suas características fisiopatológicas específicas tendo em comum entre elas o baixo nível de hemoglobina. A hemoglobina é a proteína que transporta o oxigênio dos pulmões aos tecidos.
Há três principais tipos de anemias sendo elas as microcísticas, quando as hemácias são pequenas e há diminuição na quantidade de hemoglobina, as normocíticas que é quando não há alterações no tamanho das hemácias e as macrocíticas, quando as células são maiores que o habitual.
Entre as anemias microcíticas, a anemia ferropriva é a mais comum caracterizada pela deficiência de ferro. Geralmente causada pela deficiência nutricional.
A anemia falciforme é uma anemia caracterizada pela alteração morfológica nas hemácias adquirindo o aspecto de uma foice, fazem parte das anemias normocíticas.
A anemia megaloblástica por deficiência de B12 faz parte das anemias macrocíticas. É caracterizada pelo aumento do tamanho das hemácias e redução na sua quantidade.
Referências:
– Texto retirado do blog da Newprov
por CenterLab | fev 19, 2025 | Uncategorized
Autor: Pedro Thadeu Rocha Salles
A hemoglobina é uma proteína globular presente nos eritrócitos (glóbulos vermelhos), sendo responsável pela coloração vermelha do sangue. Sua principal função é o transporte de gases pelo organismo, captando oxigênio nos pulmões e distribuindo-o para os tecidos, além de remover o dióxido de carbono das células e levá-lo de volta aos pulmões para ser eliminado.
A hemoglobina é composta por quatro subunidades, cada uma formada por uma cadeia polipeptídica (globina) e um grupo heme, que contém um átomo de ferro. Esse ferro é essencial para a ligação e o transporte do oxigênio.
A hemoglobina A (HbA) é a fração predominante em adultos saudáveis, representando aproximadamente 95% a 97% da hemoglobina total. Dentro da HbA, existem diferentes frações:
– HbA – Representa cerca de 90% da HbA e não está ligada a carboidratos.
– HbA₁ – Corresponde a 5% a 7% da HbA e está ligada a carboidratos, sendo denominada hemoglobina glicada (Ghb), importante para o monitoramento do controle glicêmico.
– HbA₂ – Responde por aproximadamente 2% da hemoglobina total e contém cadeias delta (δ) em vez de beta (β).
A fração HbA tem grande importância clínica, pois suas subfrações são usadas no diagnóstico e acompanhamento de distúrbios metabólicos, como a diabetes mellitus. Entre essas subfrações, destacam-se:
– A1ab: Faz parte da hemoglobina glicada HbA e inclui hemoglobinas modificadas por ligações com diferentes carboidratos. A HbA1b, por exemplo, está associada a carboidratos de estrutura ainda não completamente identificada.
– La1c (Lábil): É a forma instável da hemoglobina glicada. Ela se forma quando a glicose se liga ao grupo Nterminal da valina na cadeia beta da hemoglobina adulta (HbA), originando inicialmente uma base de Schiff instável, conhecida como hemoglobina lábil. Essa forma reflete variações agudas da glicose, sendo um estágio transitório antes da conversão para a forma estável. Além disso, a presença da hemoglobina lábil pode atuar como um fator interferente nos resultados da dosagem de HbA1c, impactando a precisão das medições laboratoriais.
– SA1c (Estável): É a forma estável da hemoglobina glicada. Conforme os eritrócitos circulam, a estrutura passa por uma reação chamada rearranjo de Amadori, tornando-se uma cetoamina estável, sendo essa a fração HbA1c, amplamente utilizada no controle da glicemia.
A hemoglobina fetal (HbF) é uma forma especial de hemoglobina predominante em fetos e recém-nascidos. Sua principal função é facilitar a transferência de oxigênio da mãe para o bebê, pois apresenta uma afinidade maior pelo oxigênio do que a hemoglobina adulta (HbA). Com o crescimento da criança, a HbF é gradualmente substituída pela HbA. No entanto, em algumas condições genéticas e hematológicas,
como talassemias e anemia falciforme, os níveis de HbF podem permanecer elevados.

Devido à sua importância clínica, a hemoglobina e suas frações têm sido amplamente estudadas, resultando no desenvolvimento de diversos métodos laboratoriais para a quantificação da HbA1c, como a Cromatografía Líquida de Alta Performance (HPLC), imunoensaios turbidimétricos e eletroforese, entre outros. A escolha do método ideal deve considerar a relação custo-benefício, bem como suas características analíticas, incluindo o registro junto à ANVISA e a certificação pelo NGSP (National Glycohemoglobin Standardization Program).
Entre os métodos certificados, destacam-se o imunoensaio turbidimétrico e o HPLC por troca catiônica, que oferecem maior precisão e confiabilidade na análise dos níveis de HbA1c.
Embora seja uma técnica amplamente utilizada, a turbidimetria não permite a identificação das diferentes frações da hemoglobina em um único ensaio, fornecendo informações apenas sobre um parâmetro por vez. Isso pode dificultar a análise global e a distinção de interferências entre as frações da hemoglobina, limitando sua aplicação principalmente ao monitoramento geral da glicemia.
Por outro lado, o HPLC oferece uma visão mais abrangente do perfil da hemoglobina, permitindo a detecção de variantes patológicas e suas possíveis interferências, o que o torna uma ferramenta valiosa tanto para o diagnóstico quanto para o monitoramento clínico.
No entanto, estudos que compararam as duas metodologias demonstraram uma boa correlação e concordância entre elas (r = 0,978, p < 0,001), desde que respeitadas suas limitações e considerando exclusivamente a análise da HbA1c. Além disso, não foram observadas diferenças sistemáticas ou proporcionais entre os métodos, reforçando sua aplicabilidade clínica.

Como solução eficiente para automação de exames de HbA1c, o método HPLC se destaca com os modelos HB- 20 e HB-100 da linha Vercentra, fornecidos pela Centerlab. Esses equipamentos oferecem alta produtividade e eficiência, incorporando um método rastreável ao IFCC/NGSP, garantindo a precisão e padronização dos resultados.
Figura 2: HB-20 e HB-100
HB-20

HB-100

Fonte: https://www.centerlab.com/vercentra?_q=vercentra&map=ft
Bibliografias:
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Muzy, Jéssica et al. Prevalência de diabetes mellitus e suas complicações e caracterização das lacunas na atenção à saúde a partir da triangulação de pesquisas. Cadernos de Saúde Pública [online]. v. 37, n. 5 [Acessado 17 Setembro 2024] , e00076120. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/0102-311X00076120>. ISSN 1678-4464. https://doi.org/10.1590/0102-311X00076120
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Schiaveto, E. C., Vidotto, A., Siqueira, F. A. M., Naoum, P. C., Fett-Conte, A. C., & Bonini-Domingos, C. R.. (2002). Hemoglobina Köln diagnosticada em programa de triagem neonatal em São José do Rio Preto, SP. Revista Brasileira De Hematologia E Hemoterapia, 24(1), 41–44. https://doi.org/10.1590/S1516-84842002000100008
Melo, L. M. S., Siqueira, F. A. M., Conte, A. C. F., & Domingos, C. R. B.. (2008). Rastreamento de hemoglobinas variantes e talassemias com associação de métodos de diagnóstico. Revista Brasileira De Hematologia E Hemoterapia, 30(1), 12–17. https://doi.org/10.1590/S1516-84842008000100006
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Costa, R. M., Pina, A. P., de Carvalho, A. S., Tunes, U. da R., & Tunes, R. S. (2020). USO DA HEMOGLOBINA GLICADA NO DIAGNÓSTICO DE DIABETES MELLITUS – REVISÃO DE LITERATURA USE OF GLYCATED HEMOGLOBIN IN THE DIAGNOSIS OF DIABETES MELLITUS – LITERATURE REVIEW. Revista Da Faculdade De Odontologia Da Univeridade Federal Da Bahia, 50(1), 79–87. https://doi.org/10.9771/revfo.v50i1.3712
por CenterLab | maio 1, 2023 | Informativos
Hemoglobina Glicada – HBA1C
Atualmente, o diabetes mellitus (DM) atinge 180 milhões de pessoas em todo o mundo. Com o aumento da prevalência de obesidade e o sedentarismo, estima-se que em 2025 mais de 300 milhões de pessoas venham ter diabetes. Nos países em desenvolvimento, o aumento esperado é de 170% (de 84 milhões para 228 milhões de pessoas afetadas). Essa projeção é de especial importância nesses países, onde o diabetes se encaminha para a aparição em fases mais precoces da vida (entre 40-64 anos) em comparação com os países desenvolvidos, onde a doença normalmente acontece aos 65 anos de idade ou mais.
O DM é caracterizado por um distúrbio metabólico complexo, resultante da destruição imunomediada de células produtoras de insulina nas ilhotas de Langerhans (Diabetes Mellitus 1) ou da combinação de resistência à insulina e deficiência relativa de insulina (Diabete Mellitus 2). Ambos os tipos estão associados a complicações graves consequentes das flutuações agudas da hiperglicemia crônica, característicos da doença. As complicações decorrentes do descontrole glicêmico (disglicemia) são representadas pelas doenças macrovasculares e microvasculares e, quando presentes, contribuem para o aumento da mortalidade, redução da qualidade de vida e aumento dos custos no tratamento da doença.

O objetivo do tratamento do paciente com diabetes mellitus (DM) é o bom controle metabólico, diminuindo, assim, os riscos de complicações micro e macrovasculares. Dentre o arsenal disponível à avaliação do controle glicêmico, encontram-se a hemoglobina glicada (HbA1c).
A determinação da HbA1c possibilita estimar quão elevadas as glicemias estiveram nos últimos 3 a 4 meses. Tal estimativa torna-se possível pelo fato da glicose sanguínea ligar-se de maneira irreversível à hemoglobina durante o período de vida da hemácia, que tem essa duração. A porcentagem da hemoglobina que sofreu glicação será tanto maior quanto maior a concentração de glicose sanguínea. Esse resultado expresso em porcentagem refere-se à média das glicemias diárias, sendo 50% correspondente ao mês que precedeu o exame, 25% ao mês anterior à coleta e 25% ao terceiro e quarto meses anteriores. Assim, o valor de HbA1c obtido corresponderá, sobretudo, ao controle glicêmico do último mês e, secundariamente, dos 2 a 3 meses precedentes.
Desde o Diabetes Control and Complications Trial (DCCT), a HbA1c é considerada o exame padrão-ouro para avaliar o controle metabólico por exemplo em indivíduo com DM1, já que ficou consistentemente demonstrada a relação entre níveis aumentados e risco de complicação microvascular. Aqueles que apresentaram os valores mais baixos de HbA1c, próximos de 7%, também mensuraram mais vezes a glicemia capilar (sete vezes ao dia) e apresentaram glicemia média de 163 mg/dL, confirmando a necessidade de monitorização mais intensiva para alcance dos objetivos glicêmicos.
Durante anos, acreditou-se que os alvos da HbA1c deveriam variar conforme a faixa etária, especialmente para crianças, sendo maiores para lactentes e progressivamente menores para crianças em idade escolar e na adolescência. No entanto, em 2009, o consenso da Sociedade Internacional de Diabetes para Pediatria e Adolescência (ISPAD) recomendou que o alvo de HbA1c para qualquer criança ou adolescente com idade inferior a 18 anos fosse menor (7,5%); a partir de 2014, a Associação Americana de Diabetes (ADA) passou a utilizar os mesmos critérios. Vale ressaltar que ambas as associações permitem o aumento temporário do alvo, na vigência de hipoglicemia assintomática, até que os sintomas sejam restaurados.
Para adultos, as recomendações de HbA1c variam de 6,5 a 7,0%, dependendo da sociedade científica, mas sempre é importante individualizar o tratamento. A Tabela 1 resume as principais metas de controle glicêmico e de HbA1c adotadas por diferentes sociedades científicas para adultos com DM.
Vale ressaltar que, atualmente, o valor de HbA1c igual a 7% interpreta-se como correspondente a uma glicemia média estimada de 154 mg/dL, e não 163 mg/dL, como já fora previamente interpretado. De qualquer modo, é importante frisar que uma HbA1c de 7% corresponde a uma glicemia que varia de 122 a 184 mg/dl e, portanto, outras ferramentas que não só a HbA1c devem servir de parâmetro para o controle metabólico, como o tempo no alvo e o coeficiente de variação.
Recomenda-se que a HbA1c seja realizada a cada 3 a 4 meses em crianças e adolescentes, com no mínimo duas medidas anuais. Para adultos, com controles estáveis, sugerem-se duas medidas de HbA1c ao ano, embora estudo recente com mais de 15 mil adultos com DM1 tenha mostrado benefícios da medida trimestral da HbA1c e da automonitorização da glicemia capilar no controle metabólico. Os pacientes com HbA1c mais baixa foram aqueles que monitoravam mais vezes a glicemia (seis vezes ao dia) e realizavam exame de HbA1c com mais frequência (três a quatro vezes ao ano).
É importante, também, considerar a técnica laboratorial utilizada na realização do exame. Os valores de referência podem variar conforme os métodos laboratoriais. O ideal é que o laboratório utilize apenas os métodos certificados pelo National Glycohemoglobin Standardization Program (NGSP), que garante a comparabilidade com empregado no Diabetes Control and Complications Trial (DCCT). Métodos certificados pelo NGSP identificacam fração de hemoglobina glicada definida como HbA1c, cuja faixa de normalidade varia de 4 a 6%. Os laboratórios clínicos devem estar preparados para fornecer resultados exatos e precisos de HbA1c, para ajudar o clínico a prevenir e manejar as complicações do DM.

Contribuindo para o sucesso dos negócios de nossos clientes, a Centerlab e juntamente com a Labtest, uma parceria de sucesso, comercializando soluções em produtos e serviços para diagnóstico e pesquisa, tem a satisfação de apresentar os equipamentos de bioquímica da linha – Audmax com hemólise on-board de glicohemoglobina.
Referencias
– Disponível em: https://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade-Brasileira de- Diabetes-2019-2020.pdf. Acesso em 22/04/2023.
– Disponível em: https://www.scielo.br/j/abem/a/gz4QFDvhqKCwL95LyrbDT6z/. Acesso em 22/04/2023.