Leucemia

Leucemia

No corpo humano todas as células apresentam um ciclo natural, elas são originadas, diferenciam-se, proliferam e morrem. Entretanto, algumas células saem desse ciclo, evadindo-se dos mecanismos de controle celular, geralmente em decorrência de mutações. Consequentemente, essas células dão origem a outras células com as mesmas imperfeições transformando-se em um tumor. Os tumores apresentam duas características principais que os diferenciam, sendo, ritmo de crescimento (divisão celular) e sua capacidade de infiltração para outros tecidos. A palavra câncer é oriunda do latim, no qual o significado é caranguejo, devido sua capacidade invasiva. O termo já sugere seu caráter maligno, devido seu crescimento exacerbado e capacidade de migração. Este processo facilita a entrada dessas células em outros tecidos do corpo, podendo inclusive utilizar a corrente sanguínea ou sistema linfático como mecanismo de transporte, gerando assim, um tumor secundário ou metástase.

A leucemia, que vem do Grego LEUKOS, “branco”, mais HAIMA, “sangue”, são consideradas doenças malignas do sangue, ou seja, um tipo de câncer inicialmente originário na medula óssea, com consequências fisiológicas graves, podendo levar o indivíduo à morte. Nela ocorre a proliferação neoplásica generalizada ou acúmulo de células hematopoiéticas, com ou sem envolvimento do sangue periférico. Na maioria dos casos, as células leucêmicas (figura 1) extravasam para o sangue, onde podem ser vistas em grande número. Essas células também podem infiltrar o fígado, baço, linfonodos e outros tecidos. As leucemias podem ser agrupadas com base na velocidade em que a doença evolui e torna-se grave. Sob esse aspecto, a doença pode ser do tipo:

– Crônica (Caracterizada pelo aumento de células maduras, mas anormais). Nesse grupo, o câncer afeta majoritariamente as células que já passaram por certo processo de amadurecimento dentro da medula óssea e que já são mais desenvolvidas, de certa forma. No início da doença, as células leucêmicas ainda conseguem fazer algum trabalho dos glóbulos brancos normais. Geralmente descobrem se a doença durante exame de sangue de rotina. Lentamente, a leucemia crônica se agrava. À medida que o número de células leucêmicas aumenta, aparecem inchaço nos linfonodos (ínguas) ou infecções. Quando surgem, os sintomas são brandos, agravando-se gradualmente.
– Já a leucemia Aguda (caracterizam-se pela proliferação clonal acompanhada de bloqueio maturativo (anaplasia) variável. As células leucêmicas não podem fazer nenhum trabalho das células sanguíneas normais. O número de células leucêmicas cresce de maneira rápida e a doença agrava-se num curto intervalo de tempo.

 

Figura 1

 

As leucemias também podem ser agrupadas baseando-se nos tipos de glóbulos brancos que elas afetam: linfoides ou mieloides. As que afetam as células linfoides são chamadas de linfoide, linfocítica ou linfoblástica. A leucemia que afeta as células mieloides são chamadas Mieloide ou mieloblástica. Combinando as duas classificações, existem quatro tipos mais comuns de leucemia:

– Leucemia Linfoide Aguda (LLA) – é o câncer mais comum na infância causado por uma mutação nos linfócitos na medula óssea por algum erro no DNA. Esse dano gera um linfoblasto que não amadurece e, por isso, não se transforma em uma célula sanguínea funcional.
– Leucemia Mieloide Aguda (LMA) – é o tipo mais comum e mais agressivo da doença. A LMA progride rapidamente, e as células mieloides interferem na produção normal de glóbulos brancos e vermelhos e de plaquetas. Tem predominância em adultos mais velhos (acima de 60 anos de idade), com mais de 50% dos casos. É mais comum no sexo masculino do que no feminino, representa cerca de 15% a 20% das LA da infância e 80% das dos adultos e apresenta um prognóstico ruim, especialmente em pacientes idosos.
– Leucemia Linfoide crônica (LLC) – é caracterizada pelo acúmulo progressivo de linfócitos B malignos fenotipicamente maduros.Os locais primários da doença incluem sangue periférico, medula óssea, baço e linfonodos. Ela progride lentamente e costuma afetar idosos e é o tipo mais comum de leucemia no mundo ocidental.
– Leucemia Mieloide Crônica (LMC) – nesse tipo de leucemia, o corpo produz um grande número de células anormais da série Mieloide. Essas contagens vão aumentando de forma progressiva. É causada por uma mutação de cromossomos que ocorre espontaneamente. É comum ocorrer o aumento do baço associado, chamado de esplenomegalia.

Para o ano 2030, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou 75 milhões de pessoas vivas com câncer, sendo 21 milhões de casos novos da doença e 13 milhões de mortes em todo mundo. Atualmente, a estimativa é de 14 milhões de casos novos e 8 milhões de mortes por câncer. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 5.920 casos novos de leucemia em homens e 4.890 em mulheres.

As causas da leucemia ainda não estão definidas, mas, suspeita-se da associação entre determinados fatores com o risco aumentado de desenvolver alguns tipos específicos da doença como: tabagismo, Síndrome de Down e outras doenças hereditárias, Síndrome mielodisplásica e outras doença sanguíneas, benzeno, radiação ionizante (raios X e gama), quimioterapia (algumas classes de medicamentos usados no tratamento do câncer e doenças auto-imunes), formaldeído, produção de borracha, história familiar, idade, exposição a agrotóxicos, solventes, diesel, poeiras, infecção por vírus de hepatite B e C.

Sintomas:
Os primeiros sinais geralmente aparecem quando a medula óssea deixa de produzir células sanguíneas normais. Tendo com principais sintomas palidez, cansaços, palpitações, gânglios aumentados, infecções persistentes ou recorrentes, hematomas, manchas avermelhadas pelo corpo, sangramentos incomuns, aumento do baço e do fígado, anemia, fraqueza, febre ou suores noturnos; perda de peso sem motivo aparente, dores nos ossos e nas articulações, dores de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação.

Tratamento:
O tratamento vai desde quimioterápico ou medicamentos direcionados que eliminam especificamente as células cancerígenas até transplante de medula óssea.

Diagnóstico:
Diante da suspeita de um quadro de leucemia, um dos principais exames de sangue para confirmação é o hemograma. Em caso positivo, o hemograma estará alterado, mostrando na maioria das vezes um aumento do número de leucócitos (na minoria das vezes o número estará diminuído), associado ou não à diminuição das hemácias e plaquetas. Outras análises laboratoriais devem ser realizadas, como exames de bioquímica e da coagulação, e poderão estar alterados.

A confirmação diagnóstica é feita com o exame da medula óssea (mielograma). Entretanto o hemograma de uma pessoa com leucemia que apresenta alteração pode auxiliar no diagnóstico. É possível que elas apareçam em um curto intervalo de tempo e ajudem a identificar, precocemente, esse tipo de câncer. No caso das leucemias agudas, ou seja, a leucemia mieloide aguda (LMA) e leucemia linfoide aguda(LLA) há três principais elementos que devem ser analisados. A hemoglobina, as plaquetas e se há presença dos blastos. Caso o resultado do hemograma indique que o nível de hemoglobina está baixo (menor que 12g/dl), plaquetas baixas (menor que 100.000/mm³) e mais de 20% de blastos, há uma grande probabilidade de ser uma leucemia aguda. Já o hemograma de uma pessoa com leucemia crônica será diferente, dependendo do tipo de leucemia. Isso acontece porque cada subtipo apresenta um conjunto de alterações no exame de sangue. Na LMC, o nível de leucócitos é alto com aparecimento de leucócitos jovens. Sendo que há uma maior quantidade de elementos jovens em comparação com os mais velhos, chamado de desvio escalonado. Enquanto que na LLC, há um aumento de 40% dos linfócitos em comparação com o hemograma de uma pessoa saudável. Nesta situação o aumento dos linfócitos indica a presença de anomalia nestas células. A confirmação é feita pela imunofenotipagem e marcadores moleculares.

O progresso das tecnologias médicas recentes é notável. Em hematologia, muitos resultados da medição são processados automaticamente em sistemas de alto rendimento. A Centerlab, comprometida em oferecer o melhor em automação laboratorial, juntamente com a Nihon Kohden, empresa Japonesa com 40 anos de experiência na fabricação de analisadores hematológicos, apresenta sua linha equipamentos. Máquinas robustas fabricadas em aço inoxidável, de fácil operação pelo usuário, toda linha de equipamentos possui um sistema de filtros e limpeza automática para retenção e remoção de coágulos. Tudo isso além de tecnologias exclusivas da Nihon Khoden que trazem maior rapidez, segurança e qualidade no diagnóstico de doenças hematológicas.

Tecnologias Exclusivas Nihon Kohden:
A tecnologia ótica ”DynaScatter Laser” (presentes no Celltac ES e Celltac G) analisa e diferencia as células WBC em seu estado “quase-nativo” com muita precisão. O inovador sistema de detecção de espalhamento de laser de 3 ângulos provê uma melhor diferenciação dos Leucócitos realizando uma medição precisa. A tecnologia chamada “DynaHelix Flow” (presente no Celltac G) alinha perfeitamente as células Leucócitos, Hemácias e Plaquetas para uma contagem de alta impedância com precisão usando um fluxo hidrodinâmico focado antes de passar pela abertura. Somado a isso, o fluxo contínuo após a contagem previne totalmente contra o risco de a mesma célula ser contada duas vezes (retorno).

Figura 2

 

Celltac α 6550
– Tecnologia Japonesa, velocidade de60 amostras/hora e volume de amostra: 30 microL;
– 19 Parâmetros: WBC, RBC, HGB, HCT, MCV, MCH, MCHC, RDW-CV, RDW-SD, PLT, PCT, MPV, PDW;
– Diferencial de Leucócitos em 3 partes (LY, LY%, MO, MO%, e GR, GR%)*;
– Verificação diária automática e livre de manutenção, gerenciamento da utilização dos reagentes, análise em tubo aberto e fechado,eliminando contato com sangue (biosegurança) e impressora térmica integrada;
– Remoção automática de coágulos, filtros de retenção de coágulos, compacto, durável, robusto todo em aço inox.

Celltac Alfa

Celltac ES
– Tecnologia Japonesa, velocidade de60 amostras/hora e volume de amostra: 55μl;
– 25 Parâmetros: WBC, RBC, HGB, HCT, MCV, MCH, MCHC, RDW-CV, RDW-SD, PLT, PCT, MPV, PDW;
– Diferencial de Leucócitos 6 partes: LY, LY%, MO, MO%, NE, NE%, EO, EO%,BA, BA%, IG, IG%;
– Verificação diária automática e livre de manutenção, gerenciamento da utilização dos reagentes e análise em tubo aberto e fechado, eliminando contato com sangue (biosegurança);
– Contagem avançada de PLT e WBC para valores baixo automaticamente e impressora térmica integrada;
– Remoção automática de coágulos, filtros de retenção de coágulos e compacto, durável, robusto todo em aço inox.

 

Celltac ES

Celltac G 9100
– Tecnologia Japonesa, velocidade de 90 amostras/hora e volume de amostra: 40 microL;
– 33 Parâmetros: WBC, RBC, HGB, HCT, MCV, MCH, MCHC, RDW-CV, RDW-SD, PLT, PCT, MPV, PDW, P-LCR, PLCC, Índice Mentzer e RDW-I;
– Diferencial de Leucócitos 7 partes: LY, LY%, MO, MO%, NE, NE%, EO, EO%,BA, BA%, Band, Band%, IG, IG%, Seg% e Seg;
– Verificação automática e livre de manutenções diárias, extremamente fácil operação, valores de controles adicionados automaticamente por cód. de barras, Carregamento continuo de amostras com capacidade para 7 racks de 10 tubos e jomogeneização e análise automática das amostras (tubo fechado);
– Gerenciamento e rastreabilidade dos reagentes;
– Remoção automática de coágulos, filtros de retenção de coágulos, compacto, durável, robusto todo em aço inox;
– Os recém adicionados RDWI e Índice Mentzer adicionam valiosas informações clínicas para que se possa diferenciar beta-talassemia de uma possível anemia ferropriva nos casos de anemia microcítica.

 

Celltac G

 

Importante: Esse boletim tem o caráter informativo e não deve ser utilizado para interpretação de resultados e manejo clínico.

Referencias:
– http://www.oncoguia.org.br/conteudo/sinais-e-sintomas-da-leucemia-mieloide-aguda-lma/1598/332/
– https://www.rededorsaoluiz.com.br/clinica/cehon/sobre-o-cancer/neoplasias-hemat/leucemia-cronica
– https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/leucemia/leucemia-linfoc%C3%ADtica-cr%C3%B4nica-llc
– https://www.scielosp.org/article/csc/2017.v22n10/3321-3332/
– https://portal.unisepe.com.br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2019/02/022_LEUCEMIA-MIELOIDE-AGUDA-E-CR%C3%94NICA-DIAGN%C3%93STICOS-E-POSS%C3%8DVEIS-TRATAMENTOS.pdf
– https://www.scielo.br/j/jbpml/a/C6NQ7KQYbZNsdpp7TGW7vpk/?format=pdf&lang=pt
– https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/leucemia
– https://revista.abrale.org.br/hemograma-e-diagnostico-de-leucemia/
– https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/Avaliacao_epidemiologica_das_leucemias_linfoblasticas_em._pa.pdf
– https://www.einstein.br/especialidades/oncologia/tipos-cancer/leucemia

Dificuldades que os pacientes com leucemia enfrentam durante a pandemia

Dificuldades que os pacientes com leucemia enfrentam durante a pandemia

Um médico conta como esse câncer no sangue aumenta o risco de complicações por coronavírus e ressalta que abandonar o tratamento é uma péssima ideia

Por Paulo Henrique A. Soares, hematologista* – Atualizado em 25 May 2020, 16h20 – Publicado em 25 May 2020, 10h13

Portadores de cânceres hematológicos, como leucemia mieloide aguda (LMA) e leucemia linfocítica crônica (LLC) estão com dificuldades em ter acesso ao seu tratamento — ou prosseguir com ele — por causa da pandemia de coronavírus.

A leucemia é um dos tipos de câncer de sangue mais conhecidos. Ela surge quando os glóbulos brancos perdem a função de defesa e passam a se reproduzir de maneira descontrolada.

A leucemia mieloide aguda é uma doença agressiva, em que a medula óssea é tomada por células cancerosas, inibindo, entre outras funções, sua habilidade de proteger o organismo contra infecções por bactérias e vírus. Já a leucemia linfoide crônica é a mais comum em pacientes acima de 60 anos. Ela tem progressão lenta e geralmente assintomática no momento do diagnóstico.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020 a incidência anual por 100 mil habitantes no Brasil será de 10 810 novos casos de leucemia, sendo 5 920 em homens e 4 890 em mulheres.

No presente momento, os pacientes com leucemias e outros cânceres hematológicos enfrentam dificuldades para encontrar leitos de internação e para agendar a sua quimioterapia. Eles também sofrem com a falta de sangue doado nos hospitais. Como há menos pessoas circulando, há menos pessoas doando.

Portadores de leucemias ficam mais propensos a pegar infecções por estarem com déficit de imunidade, o que pode acarretar complicações clínicas maiores. Tal incremento de risco é particularmente evidente em indivíduos com leucemias agudas, pois a agressividade dessas doenças exige quimioterapia intensiva. Isso, por sua vez, tem potencial de agravar temporariamente o déficit de imunidade.

Aqui no Brasil, ele foi aprovado em 2018 pela Anvisa para LLC e, em 2019, para o tratamento da LMA. O venetoclax é o primeiro de uma classe de medicações que seletivamente inibe a proteína BCL-2. Em alguns tipos de câncer no sangue, a proteína BCL-2 impede a morte natural das células (um mecanismo chamado de apoptose). A droga, ao bloquear a proteína BCL-2, restaura esse processo, permitindo a eliminação das células da leucemia.

Por enquanto, o venetoclax não está disponível no SUS, embora seja amplamente prescrito para pacientes atendidos na rede privada. No final de abril de 2020, foi aberta uma consulta pública no site da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) para a avaliação da incorporação pelo SUS do venetoclax em combinação com outras medicações não quimioterápicas (azacitidina ou decitabina) para o tratamento de pacientes recém-diagnosticados com LMA e que não podem receber quimioterapia intensiva. Estamos aguardando a decisão final da Conitec sobre o assunto.

Discutir essas novas terapias durante a pandemia de coronavírus é especialmente relevante. Ora, elas não necessitam que o paciente saia com tanta frequência de casa para fazer o acompanhamento e evitam internações hospitalares. Artigos científicos atuais (veja aqui e aqui) inclusive corroboram essa estratégia de substituição da quimioterapia convencional intensa por novas alternativas com menor potencial de causar efeitos colaterais.

Paralelo a esses avanços, é importante que o paciente não deixe de procurar o médico responsável pelo seu acompanhamento durante o período de isolamento. Abandonar o tratamento pode comprometer o quadro geral de saúde, algo bastante negativo em face de uma pandemia.

Essa recomendação vale para todas as pessoas que estão com tratamento em curso em qualquer tipo de doença hematológica. Já há vários relatos de pacientes que, com medo de sair de casa, abandonaram o acompanhamento médico e tiveram uma significativa piora.

Apesar de estarmos atravessando um período difícil pela pandemia de Covid-19, as outras doenças não desapareceram. É necessário ter atenção redobrada.

*Paulo Henrique Soares é hematologista do Hospital DF Star

Fonte:Veja Saúde