Hemograma e as anemias microcíticas: Índice de Mentzer e RDWI

Hemograma e as anemias microcíticas: Índice de Mentzer e RDWI

Hemograma e as anemias microcíticas: Índice de Mentzer e RDWI

Autor: Assessor Científico da Centerlab – Pedro Thadeu Rocha Salles

O hemograma automatizado é um exame acessível e indispensável na prática laboratorial. Apesar de sua execução simplificada pela tecnologia atual, ele fornece informações valiosas sobre o estado fisiológico do paciente. A diversidade de parâmetros avaliados permite estabelecer correlações críticas, favorecendo uma interpretação holística da saúde do indivíduo.

Entre esses parâmetros, destacam-se os relacionados às hemácias (eritrócitos) e ao seu principal componente funcional: a hemoglobina. Nos seres humanos e na maioria dos mamíferos, os eritrócitos são células anucleadas e altamente especializadas, responsáveis pelo transporte de gases respiratórios. A hemoglobina desempenha o papel central nesse processo, ligando-se ao oxigênio nos pulmões e ao dióxido de carbono nos tecidos, garantindo a manutenção das trocas gasosas essenciais à vida.

Qualquer interrupção nesse sistema é grave, pois compromete diretamente a oxigenação tecidual. Tecidos com alta demanda metabólica, como o sistema nervoso central e o miocárdio, são particularmente vulneráveis à hipóxia, podendo sofrer danos irreversíveis.

Diversas enfermidades que afetam a produção ou a estrutura das hemácias e da hemoglobina reduzem a capacidade de transporte de oxigênio. Essas alterações manifestam-se, predominantemente, como anemias ou hemoglobinopatias.

Embora essas condições compartilhem sintomas clínicos decorrentes da hipóxia, suas etiologias são distintas, variando de deficiências nutricionais a mutações genéticas, e exigem abordagens terapêuticas específicas. Dentre as alterações que causam a microcitose, destacam-se:

  • Anemia Ferropriva: Uma anemia microcítica causada pela deficiência de ferro, caracterizada pela redução do VCM (Volume Corpuscular Médio) e tratada com a reposição do mineral.
  • Talassemia Beta: Uma condição genética que compromete a síntese das cadeias de globina, também resultando em microcitose, mas que demanda manejo clínico voltado à doença de base, e não à suplementação de ferro.
    Para auxiliar a distinção laboratorial entre essas patologias, utilizam-se índices matemáticos baseados nos dados do hemograma:

 

  • Índice de Mentzer: Proposto por William C. Mentzer, é calculado pela fórmula:> 13: Sugere Anemia Ferropriva.
    < 13: Sugere Talassemia.
  • RDWI (Red Blood Cell Distribution Width Index): Um índice derivado que combina o VCM, o RDW (amplitude de distribuição das hemácias) e a contagem de eritrócitos (RBC):
    > 220: Sugere Anemia Ferropriva.
    < 220: Sugere Talassemia Menor.

 

Estudos como os de Ehsani et al. (2009) e Ntaios et al. (2007) validam o Índice de Mentzer como uma ferramenta de triagem prática, acessível e de baixo custo. Mais recentemente, pesquisas voltadas ao RDWI, como as de El-Gendy et al. (2025) e Demir et al. (2017), demonstraram que esse índice apresenta maior acurácia diagnóstica em comparação ao uso isolado do RDW, alcançando, em alguns contextos, precisão de até 91,6%. Ainda assim, ressalta-se a necessidade de sua associação a exames complementares, como a eletroforese de hemoglobina e a dosagem de ferritina, a fim de se estabelecer um diagnóstico definitivo.

Na rotina laboratorial, a precisão desses cálculos depende da atenção do profissional. Buscando otimizar esse fluxo e reduzir erros manuais, a Nihon Kohden, em parceria com a Centerlab MG, traz ao Brasil o que há de mais avançado na tecnologia japonesa.

Os analisadores Celltac Alpha Plus (MEK-1305), Celltac G (MEK-9100) e Celltac G+ (MEK-9200) representam um avanço significativo na hematologia diagnóstica. Esses equipamentos, com diferenciação leucocitária em 3 e 5 partes, respectivamente, disponibilizam automaticamente no laudo índices como o de Mentzer e o RDWI, agregando valor à interpretação clínica.

ANALISADOR HEMATOLOGICO AUTOMATIZADO CELLTAC ALPHA PLUS MEK 1305

ANALISADOR HEMATOLOGICO AUTOMATIZADO CELLTAC G MEK-9100K

Diante disso, recomenda-se que os laboratórios que já dispõem desse recurso o utilizem de forma sistemática e promovam sua divulgação junto à equipe médica, uma vez que se trata de um diferencial clínico relevante e potencialmente útil na prática diagnóstica.

A automação desses índices elimina a necessidade de intervenção manual do operador, transformando o hemograma em uma ferramenta de triagem para anemias microcíticas muito mais poderosa, ágil e segura.

REFERÊNCIAS:

EHSANI, Mohammad Ali; SHAHGHOLI, Ebrahim; RAHIMI, Zahra; SEGHATCHIAN, Jerard. A new index for discrimination between iron deficiency anemia and beta-thalassemia minor: results in 284 patients. Pakistan Journal of Biological Sciences, v. 12, n. 5, p. 473–475, 2009.

NTAIOS, George; CHATZIKYRIAKOU, Eirini; SAOULIDIS, Nikolaos; GIRTOVITIS, Fotios; KONSTANTINIDIS, Ioannis. Discrimination indices as screening tests for beta-thalassemic trait. Annals of Hematology, v. 86, n. 7, p. 487–491, 2007.

URRECHAGA, Eloísa; BORQUE, Leticia; ESCANERO, Jesús F. The role of automated measurement of red cell subpopulations in the differential diagnosis of microcytic anemia. Anemia, v. 2011, Article ID 656738, 2011.

AHMED, S.; IQBAL, J.; KHAN, M. A. Diagnostic accuracy of red blood cell distribution width index to differentiate iron deficiency anemia and beta thalassemia trait in patients with borderline HbA2 levels. Pakistan Postgraduate Medical Journal, v. 34, n. 2, p. 85–90, 2023. Disponível em: https://ppmj.org.pk/index.php/ppmj/article/view/548. Acesso em: 20 mar. 2026.

EL-GENDY, M. M.; HASSAN, A. E.; ALI, R. M. Red cell distribution width index versus red cell distribution width as a discriminating guide for iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. Journal of Current Medical Research and Practice, v. 10, n. 1, p. 45–51, 2025. Disponível em: https://jcmrp.journals.ekb.eg/article_461385.html . Acesso em: 20 mar. 2026.

HASSAN, H. Y.; ABD EL-HAMID, S. M.; FAROUK, E. M. Mentzer index and red cell distribution width index in differentiation between iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. The Egyptian Journal of Haematology, v. 50, n. 1, p. 12–18, 2025. Disponível em: https://nchr.elsevierpure.com/en/publications/mentzer-index-and-red-cell-distribution-width-index-in-differenti. Acesso em: 20 mar. 2026.

DEMIR, A.; YILMAZ, F.; KAYA, H. The role of discriminant functions in differentiation of iron deficiency anemia and beta-thalassemia trait. Mediterranean Journal of Hematology and Infectious Diseases, v. 9, n. 1, e2017001, 2017. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5496298/. Acesso em: 20 mar. 2026.

Procalcitonina na prática clínica: soluções em Point of Care Testing para agilidade e precisão no diagnóstico

Procalcitonina na prática clínica: soluções em Point of Care Testing para agilidade e precisão no diagnóstico

Procalcitonina na Prática Clínica: Soluções em Point of Care Testing para Agilidade e Precisão no diagnóstico

Autor: Larissa Luana Dias Silva 

A sepse permanece entre as principais causas de mortalidade hospitalar em todo o mundo, configurando-se como uma síndrome complexa resultante de uma resposta inflamatória sistêmica desregulada desencadeada por uma infecção. Quando não identificada e tratada precocemente, pode evoluir rapidamente para disfunção orgânica múltipla, choque séptico e óbito. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, a sepse está associada a mais de 11 milhões de mortes anuais, representando aproximadamente uma em cada cinco mortes registradas globalmente. Nesse cenário, a identificação precoce da infecção e a rápida instituição da terapia adequada são fatores determinantes para a redução da mortalidade e melhoria dos desfechos clínicos.

Dentre os biomarcadores atualmente disponíveis para o manejo da sepse, a procalcitonina (PCT) destaca-se por sua elevada utilidade clínica no diagnóstico e monitoramento de infecções bacterianas sistêmicas. A PCT é um pró-hormônio da calcitonina, fisiologicamente produzido pelas células C da glândula tireoide. Em indivíduos saudáveis, suas concentrações séricas permanecem muito baixas. Entretanto, durante processos infecciosos bacterianos, diversos tecidos do organismo passam a produzir procalcitonina em resposta à ação de endotoxinas bacterianas e citocinas pró-inflamatórias, resultando em aumento significativo de sua concentração circulante.

A principal vantagem diagnóstica da procalcitonina está relacionada à sua especificidade para infecções bacterianas. Diferentemente de outros marcadores inflamatórios, como a proteína C reativa (PCR), os níveis de PCT tendem a permanecer baixos em processos inflamatórios não infecciosos e em infecções virais, permitindo maior precisão na diferenciação entre causas da resposta inflamatória sistêmica. Dessa forma, a procalcitonina constitui uma ferramenta valiosa na avaliação de pacientes com suspeita de sepse, bacteremia e outras infecções graves.

Além de sua aplicação diagnóstica, a procalcitonina apresenta importante papel no monitoramento da resposta terapêutica. Estudos demonstram que seus níveis séricos apresentam estreita correlação com a gravidade da infecção e respondem rapidamente à eficácia do tratamento instituído. A redução progressiva da concentração de PCT durante o acompanhamento clínico pode indicar controle adequado do processo infeccioso, enquanto valores persistentemente elevados podem sugerir falha terapêutica ou evolução desfavorável do quadro clínico.

Outro aspecto de grande relevância refere-se ao uso da procalcitonina como ferramenta de apoio à antibioticoterapia racional. A utilização indiscriminada de antimicrobianos representa um dos principais desafios da saúde pública mundial, contribuindo para o aumento da resistência bacteriana, elevação dos custos assistenciais e maior incidência de eventos adversos relacionados aos medicamentos. Nesse contexto, protocolos baseados na dosagem seriada de procalcitonina têm demonstrado eficácia na orientação para início, manutenção ou suspensão do tratamento antimicrobiano, promovendo o uso mais racional dos antibióticos sem comprometer a segurança do paciente.

A incorporação da tecnologia Point of Care Testing (POCT) ampliou significativamente o potencial de utilização da procalcitonina na prática clínica. Os testes realizados à beira-leito permitem a obtenção de resultados em poucos minutos, eliminando a necessidade de encaminhamento das amostras para laboratórios centralizados e reduzindo o tempo necessário para tomada de decisões terapêuticas. Em situações de sepse, nas quais cada hora de atraso no início do tratamento está associada ao aumento do risco de mortalidade, a disponibilidade imediata dos resultados representa um diferencial clínico relevante.

Os sistemas POCT destinados à dosagem de procalcitonina utilizam tecnologia de imunofluorescência para identificação e quantificação do biomarcador em amostras de sangue total, soro ou plasma. A metodologia oferece elevada sensibilidade analítica, rapidez na execução e facilidade operacional, tornando-se uma alternativa eficiente para hospitais, unidades de pronto atendimento, serviços de urgência e laboratórios clínicos.

Entre as soluções disponíveis para realização do teste de procalcitonina por POCT destacam-se os analisadores Finecare Plus, Finecare Plus SE e Finecare FX1. Esses equipamentos foram desenvolvidos para oferecer resultados rápidos e confiáveis, contribuindo para maior agilidade diagnóstica e suporte à tomada de decisão clínica.

Finecare Plus

O Finecare Plus é um analisador portátil baseado em imunofluorescência, projetado para ambientes que necessitam de praticidade e rapidez na execução dos exames. O equipamento apresenta design compacto, operação simplificada, alimentação bivolt e conectividade por cabo, possibilitando sua utilização em diferentes cenários assistenciais.

Figura 1: Finecare Plus

Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-plus/

Finecare Plus SE

O Finecare Plus SE representa uma evolução tecnológica da plataforma, mantendo a portabilidade e simplicidade operacional, porém incorporando recursos adicionais de conectividade. O equipamento dispõe de conexão Wi-Fi e Bluetooth, além de bateria com autonomia de até 22 horas, proporcionando maior flexibilidade para utilização em ambientes com alta demanda de mobilidade.

Figura 2: Finecare Plus SE
Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-se/

 

Finecare FX1

O Finecare FX1 destaca-se pela elevada performance analítica e pelo menor tempo de processamento dos testes. Utilizando metodologia otimizada baseada em marcador de Európio e sistema One Step, o equipamento permite obtenção de resultados de procalcitonina em aproximadamente oito minutos. Além da conectividade sem fio e da autonomia estendida de bateria, apresenta excelente desempenho para aplicações que exigem rapidez e precisão diagnóstica.

Figura 3: Finecare FX1

Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-fx1/

A disponibilização de testes rápidos de procalcitonina por meio da tecnologia POCT representa um importante avanço na abordagem diagnóstica da sepse e das infecções bacterianas graves. Ao associar rapidez, precisão analítica e facilidade operacional, esses sistemas contribuem para diagnósticos mais precoces, otimização do uso de antimicrobianos e melhoria dos desfechos clínicos. Dessa forma, a integração de biomarcadores como a procalcitonina a plataformas Point of Care fortalece a segurança assistencial, aumenta a eficiência dos serviços de saúde e oferece suporte decisivo para uma medicina cada vez mais ágil, precisa e centrada no paciente.

Referências:

AZEVEDO, José Ribamar de Araújo; TORRES, Orlando Jorge Martins; CZECZKO, Nicolau Gregori; TUON, Felipe Francisco; NASSIF, Paulo Afonso Nunes; SOUZA, Gerson Deckmann de. Procalcitonina como biomarcador de prognóstico da sepse grave e choque séptico. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Rio de Janeiro, v. 39, n. 6, p. 456-461, 2012.

CARRILLO ESPER, Raúl; PÉREZ CALATAYUD, Ángel Augusto. Procalcitonina como marcador de procesos infecciosos en cirugía: conceptos actuales. Cirujano General, Ciudad de México, v. 35, n. 1, p. 49–55, 2013.

SOUTO-ROSILLO, María de Guadalupe; BASTIDA-GONZÁLEZ, Estefanía; VIDAL-SÁNCHEZ, Itzel Elizabeth. Procalcitonina en la práctica clínica. Medicina Interna de México, Cidade do México, v. 35, n. 6, p. 927-937, 2019.

MANRIQUE ABRIL, Fred; MENDEZ FANDIÑO, Yardany; HERRERA-AMAYA, Giomar; RODRIGUEZ, Johana; MANRIQUE-ABRIL, Ricardo. Uso de procalcitonina como diagnóstico de sepsis o shock séptico: revisión sistemática y metaanálisis. Infectio, Bogotá, v. 23, n. 2, p. 133–142, 2019.

JULIÁN JIMÉNEZ, Agustín; GARCÍA, Darío Eduardo; MERINOS SÁNCHEZ, Graciela; GARCÍA DE GUADIANA ROMUALDO, Luis; GONZÁLEZ DEL CASTILLO, Juan. Precisión diagnóstica de la procalcitonina para la bacteriemia en el servicio de urgencias: una revisión sistemática. Revista Española de Quimioterapia, v. 37, n. 1, p. 29-42, 2024.

Hemocultura na Sepse: Impacto Diagnóstico, Avanços Tecnológicos e Benefícios da Automação Laboratorial

Hemocultura na Sepse: Impacto Diagnóstico, Avanços Tecnológicos e Benefícios da Automação Laboratorial

Autor: Larissa Luana Dias Silva

A hemocultura constitui um exame fundamental na prática da microbiologia clínica, sendo realizada com o objetivo de identificar a presença de microrganismos na corrente sanguínea. Sua relevância diagnóstica é amplamente reconhecida, uma vez que infecções na corrente sanguínea estão associadas a elevadas taxas de morbimortalidade, especialmente nos casos de sepse. Nesse contexto, o laboratório de análises clínicas exerce papel decisivo na condução terapêutica, pois a detecção de hemoculturas positivas permite a identificação do agente etiológico e subsidia a escolha adequada da antibioticoterapia.

A presença de microrganismos viáveis no sangue pode ocorrer em situações de disfunção imunológica ou ruptura de barreiras naturais do organismo. Na sepse, é comum a presença contínua e persistente de patógenos circulantes, tornando a hemocultura o exame primordial para confirmação diagnóstica e monitoramento clínico. 

Sob a perspectiva operacional, a hemocultura manual baseia-se na incubação dos frascos por um período mínimo de sete dias, com homogeneizações periódicas para favorecer o crescimento microbiano. A positividade é tradicionalmente verificada por inspeção visual da turvação do meio ou por meio de repiques cegos em intervalos predeterminados. Quando identificado crescimento, torna-se necessário realizar subcultivo imediato e preparo de lâmina para microscopia com coloração de Gram. Esse processo demanda intensa intervenção técnica, vigilância constante e elevado nível de expertise profissional.

Apesar de historicamente consolidado, o método manual apresenta limitações importantes, como maior tempo para liberação de resultados, maior risco de contaminação durante a manipulação, variabilidade de interpretação e aumento da carga de trabalho da equipe técnica. Além disso, o processo depende de inspeção visual frequente e repicagens, o que eleva o consumo de insumos e a exposição ocupacional a agentes biológicos.

Em contraste, os sistemas automatizados de hemocultura representam avanço significativo ao permitir monitoramento contínuo das amostras incubadas. Quando há presença de microrganismos viáveis no frasco inoculado, ocorre produção de dióxido de carbono (CO₂), detectado automaticamente pelo equipamento por meio de sensores específicos. Essa tecnologia possibilita maior sensibilidade analítica, redução do tempo para positividade e diminuição da intervenção manual, contribuindo para maior padronização e confiabilidade dos resultados.

Os sistemas automatizados de hemocultura permitem o monitoramento contínuo das amostras e a detecção automática da produção de CO₂ por microrganismos viáveis, aumentando a sensibilidade e reduzindo o tempo para positividade. A automatização diminui a intervenção manual, reduz erros e contaminações, otimiza recursos e favorece diagnóstico mais rápido, antibioticoterapia direcionada e melhores desfechos clínicos, além de proporcionar economia financeira ao reduzir a necessidade de repetição de exames, demanda de mão de obra e tempo de internação, com maior giro de leitos.

Durante o período do estudo, conduzido em um laboratório da região sudoeste do Paraná entre o início de outubro de 2010 e o final de setembro de 2012, foram realizadas 1.403 hemoculturas. Destas, 1.308 (93,2%) apresentaram resultado negativo e 95 (6,8%) resultado positivo. No intervalo compreendido entre outubro de 2010 e setembro de 2011, quando foi empregado o método manual, foram processadas 550 hemoculturas, das quais 13 (2,4%) foram positivas. Já entre outubro de 2011 e setembro de 2012, período em que se adotou o método automatizado, foram realizadas 853 hemoculturas, com 82 (9,6%) resultados positivos. A análise comparativa evidencia maior taxa de positividade no método automatizado em relação ao método manual (2,4% versus 9,6%), constatando maior sensibilidade diagnóstica do sistema automatizado.

Diante desse cenário, a automatização das hemoculturas representa não apenas um avanço técnico-científico, mas também uma estratégia institucional voltada à qualidade assistencial e à sustentabilidade econômica. Ao integrar maior rapidez diagnóstica, padronização de processos, redução de riscos ocupacionais e otimização de recursos humanos, os sistemas automatizados contribuem para decisões clínicas mais assertivas e para a redução da mortalidade associada às infecções da corrente sanguínea, agregando valor ao laboratório e à instituição de saúde como um todo.

Como exemplo de sistema automatizado, o BACT ALERT 3D destaca-se por sua capacidade de armazenar 120 frascos simultaneamente, permitindo a realização de culturas de sangue, outros fluidos corporais estéreis e micobactérias em um mesmo equipamento. O sistema utiliza tecnologia de detecção colorimétrica associada à presença de resina de adsorção polimérica nos frascos, possibilitando a neutralização parcial de antibióticos presentes na amostra. Apresenta ainda alarme visual e sonoro para frascos positivos, detecção de crescimento de bactérias e leveduras em aproximadamente 8 a 12 horas de incubação em muitos casos, além de operação simplificada e baixa necessidade de manutenção.

Figura 1: Plataformas BACT ALERT 3D

Fonte: https://www.biomerieux.com/br/pt.html

Com o objetivo de oferecer serviços de excelência e fortalecer a segurança diagnóstica, a Centerlab e a bioMérieux, líder mundial em diagnóstico in vitro, anunciam uma nova parceria estratégica voltada à ampliação do acesso a equipamentos automatizados de hemocultura. A partir dessa união, os sistemas automatizados de hemocultura passam a integrar o portfólio da Centerlab, agregando tecnologia de ponta para detecção rápida e confiável de infecções na corrente sanguínea. A iniciativa amplia e fortalece a oferta de soluções completas em microbiologia, promovendo maior eficiência laboratorial, otimização de processos e suporte especializado. Como resultado dessa iniciativa, as empresas reforçam seu compromisso com a excelência diagnóstica, contribuindo para decisões clínicas mais ágeis e assertivas, além de impactar positivamente a qualidade assistencial e a segurança do paciente.

REFERÊNCIAS:
– BERLITZ, F. A. Controle da qualidade no laboratório clínico: alinhando melhoria de processos, confiabilidade e segurança do paciente. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial. 2010;46(5):353–363.
– GUAREZE, G. M.; BORDIGNON, J. C. Estudo comparativo entre hemocultura automatizada e manual em um laboratório do sudoeste do Paraná, Brasil. Instituto Federal do Paraná, Pato Branco, PR, 2016.

 

Boas práticas para coleta de sangue

Boas práticas para coleta de sangue

coleta de sangue é amplamente praticada e continua sendo de inestimável valor para o diagnóstico e tratamento de vários processos patológicos. O teste de laboratório é parte integrante do processo de tomada de decisão do médico e os resultados influenciam diretamente a qualidade de vida do paciente.

Os avanços em tecnologia de instrumentos e o investimento em automação simplificaram os processos no diagnóstico laboratorial, melhorando a qualidade dos resultados. Porém, a grande questão enfrentada hoje é que cerca de 70% do total de erros que afetam os resultados dos testes laboratoriais ocorre na fase pré-analítica. Isso se deve principalmente à dificuldade em obter procedimentos padronizados para a coleta de amostras.

Os testes de laboratório são divididos três fases: pré-analítica, analítica e pós-analítica. A fase pré-analítica compreende todos os processos a partir do momento em que um médico solicita o exame até que a amostra seja enviada para análise no laboratório. Inclui então a indicação do exame, instruções de preparo do paciente, procedimentos de coleta de sangue, armazenamento, preservação e transporte da amostra.

Claro que qualquer uma das fases pode apresentar erros de processo. A maioria dos erros são identificados na fase analítica. Entretanto, eles apenas refletem a falta de cuidados durante a fase pré-analítica, com os fatores que afetam diretamente a amostra.

As boas práticas e sistematização da fase pré-analítica, principalmente no processo de coleta da amostra, evita uma série de erros, retrabalhos e desperdícios de amostras e de reagentes, evitando danos aos pacientes e também ao laboratório.

Variáveis pré-analíticas para coleta de sangue

Na coleta de sangue para a realização de exames laboratoriais é importante que se conheça, controle e, se possível, evite algumas variáveis que possam interferir na exatidão dos resultados. A primeira delas é a condição do paciente e as orientações que devem ser passadas antes do exame.

Preparação do paciente

Esta é uma das tarefas mais desafiadoras da fase pré-analítica, pois engloba variáveis ​​que normalmente ocorrem antes que o indivíduo chegue para a coleta da amostra. Alimentação, exercícios, medicamentos e outros fatores podem interferir na análise, por isso é fundamental a orientação antes da realização da coleta de sangue.

  • Gênero: Além das diferenças hormonais específicas e características de cada sexo, alguns outros parâmetros sanguíneos se apresentam em concentrações significativamente distintas entre homens e mulheres.
  • Idade: Alguns parâmetros bioquímicos possuem concentração sérica dependente da idade do indivíduo.
  • Atividade física: Alterações significativas no grau de atividade física, como ocorrem, por exemplo, nos primeiros dias de uma internação hospitalar ou de imobilização, causam variações importantes na concentração de alguns parâmetros sanguíneos. Os pacientes também devem ser instruídos para evitar exercícios moderados a extenuantes antes da coleta de sangue.
  • Jejum: habitualmente, é preconizado um período de jejum para a coleta de sangue em exames laboratoriais. A ingestão de determinados alimentos é uma fonte significativa de variabilidade pré-analítica.
  • Dieta: da mesma forma que o jejum, a dieta a que o indivíduo está submetido pode interferir na concentração de alguns componentes, dependendo das características orgânicas do próprio paciente.
  • Uso de fármacos e drogas de abuso: este é um item amplo e inclui tanto a administração de substâncias com finalidades terapêuticas como outras drogas de abuso, incluindo álcool e cigarro. Eles podem causar variações nos resultados de exames laboratoriais, seja pelo próprio efeito fisiológico ou por interferência analítica.

Tubos de coleta de sangue a vácuo

Os produtos utilizados para efetuar a coleta do sangue são de extrema importância, pois além de auxiliar em um melhor resultado dos exames, podem reduzir a ocorrência de erros na coleta e os fatores de interferência na fase pré-analítica.

Os sistemas para coleta de sangue a vácuo reduzem o risco de exposição direta ao sangue e tornam mais fácil a coleta de múltiplas amostras através de uma única punção. Além de maior conforto para o paciente também proporciona maior segurança para o profissional que realiza a coleta e reduz as chances de contaminação da amostra.

Existe um tubo específico com aditivos diferentes para cada tipo de aplicação e exames. Para fazer uma coleta múltipla basta trocar os tubos à medida em que for colhendo as amostras desejadas. Os tubos de coleta a vácuo já contêm a quantidade de vácuo calibrado ao volume de sangue que deve ser colhido, assim é possível garantir a proporção correta de sangue e aditivo.

Mas é preciso seguir uma sequência correta para evitar a contaminação cruzada de aditivos entre tubos, gerando resultados alterados nos analíticos sensíveis a este tipo de interferência. A ordem correta para coleta de sangue por tubos a vácuo é: 1. Azul (citrato de sódio); 2. Amarelo/vermelho (ativador de coágulo); 3. Verde (heparina); 4. Lilás/roxo (ETDA); 5. Cinza (fluoreto de sódio).

Como realizar a coleta de Sangue

O profissional que irá realizar a coleta deve fazer a assepsia das mãos antes do atendimento ao paciente e sempre utilizar luvas. Os tubos devem ser devidamente identificados e colocados na ordem correta para realizar o procedimento. E na sequência, seguir os passos abaixo:
Foto site da Kasvi 

As amostras podem sofrer algumas interferências que afetam significativamente os resultados dos testes. Isso pode levar a testes adicionais, diagnósticos incorretos e tratamentos potencialmente desfavoráveis para o paciente. As interferências observadas com maior frequência são amostras hemolizadas, lipêmicas e ictéricas.

Armazenamento e transporte da amostra de sangue

Vários fatores interferentes são relatados no armazenamento da amostra, como o tempo de contato prolongado do soro ou plasma com as células, existência de hemólise em grau variado, hemoconcentrações causadas por evaporação, exposição à luz, temperatura incorreta de armazenamento, transporte incorreto, uso incorreto de aditivos (anticoagulantes), etc.

Deve-se adotar sempre medidas de segurança para a preservação da amostra, armazenando o sangue em local adequado e na temperatura apropriada. O transporte deve ser realizado por empresas especializadas com pessoal treinado quanto aos cuidados necessários, a fim de evitar interferências, principalmente no que se refere à temperatura.

Descarte de materiais utilizados na coleta

Os materiais utilizados para a coleta de sangue devem ser de uso único e os perfurocortantes devem ser descartados em um recipiente adequado e de paredes rígidas para evitar acidentes. Todos os materiais devem ser encaminhados para descarte seguindo as normas de biossegurança.

Referencias: Blog da Kasvi –  Boas praticas para coleta de sangue

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