O funcionamento de todos os organismos conhecidos baseia-se em interações químicas e moleculares, muitas vezes ocorrendo de forma discreta e imperceptível aos olhos humanos. Essas interações, altamente complexas, influenciam diretamente células, órgãos, sistemas e, consequentemente, o organismo como um todo.

Quando se torna necessária a investigação de alterações que afetam a saúde de um indivíduo, a análise desses sistemas moleculares passa a ser essencial. A quantificação de proteínas, hormônios, íons, metabólitos, colesterol, carboidratos e outros marcadores biológicos, assim como a identificação qualitativa e quantitativa desses compostos, permite indicar quais órgãos ou sistemas podem estar comprometidos, além de auxiliar os médicos veterinários na definição do tratamento mais adequado.

As análises voltadas a esses componentes moleculares foram denominadas análises bioquímicas, uma área que engloba diversos exames e metodologias distintas, tendo a fotometria associada ao uso de reagentes líquidos como uma das soluções mais amplamente utilizadas na prática clínica.

O modelo tradicional, composto por equipamentos semiautomáticos ou automáticos para análises colorimétricas e pela utilização de reagentes líquidos, metodologia conhecida como química úmida, apresenta elevada eficiência analítica, especialmente em laboratórios com alta demanda, proporcionando significativa economia operacional.

Entretanto, essa metodologia exige atenção constante a diversos fatores, como possíveis contaminações por arraste, substituição periódica de reagentes deteriorados, necessidade de lavagem das cubetas onde ocorrem as reações, calibrações dependentes de materiais calibradores e boas práticas relacionadas ao armazenamento, manejo e estabilidade dos reagentes.

Além dessas características inerentes à metodologia, os kits de reagentes também apresentam limitações frente a fatores pré-analíticos já conhecidos, como hemólise, mesmo em níveis mínimos, lipemia, icterícia e outros interferentes capazes de comprometer a qualidade analítica dos resultados.

Quando essas características são aplicadas à rotina de laboratórios de análises clínicas veterinárias, especialmente em hospitais e clínicas, observa-se que a prática da bioquímica clínica convencional torna-se ainda mais complexa. Nesse contexto, torna-se necessária mão de obra especializada tanto para a coleta das amostras, visando minimizar interferências pré-analíticas, quanto para a correta operação dos equipamentos.

O operador deve permanecer constantemente atento à necessidade de troca de reagentes, calibração individual de cada parâmetro, manutenção das cubetas, riscos de contaminação por arraste e demais cuidados inerentes à metodologia, garantindo, assim, a confiabilidade e a qualidade dos resultados obtidos.

Com o avanço tecnológico, novas metodologias surgiram para contornar algumas das limitações da química úmida. Entre elas, destaca-se a química seca, tecnologia já consolidada e comercialmente viável. Esse método utiliza equipamentos de análise colorimétrica com reagentes individuais impregnados em cartões de teste sólidos, eliminando a necessidade de cubetas de reação e reduzindo significativamente etapas operacionais.

Figura 1: Exemplo de cartão de teste para química seca.

Fonte: https://www.fujifilm.com/

Além disso, os cartões de teste contam com filtros capazes de minimizar interferências causadas por hemólise, lipemia e icterícia, proporcionando excelente reprodutibilidade analítica. Outro diferencial importante é a pré-calibração em lote, na qual basta realizar a leitura de um QR Code para que os parâmetros da curva de calibração sejam automaticamente transferidos e reconhecidos pelo equipamento.

Esses sistemas também necessitam de volumes reduzidos de amostra, geralmente em torno de 10 µL por teste, tornando-se ideais para laboratórios nos quais recoletas são inviáveis ou limitadas. Essa característica é especialmente relevante na medicina veterinária, onde pequenos animais frequentemente resultam em amostras de baixo volume, fazendo com que cada gota seja fundamental para a realização dos exames.

Pensando nesse cenário e nas necessidades específicas desse público, a Centerlab, em parceria com a Fujifilm, trouxe ao Brasil o NX600 VET, uma solução japonesa de química seca que alia alta qualidade analítica, ensaios pré-calibrados e operação simplificada.

Figura 2: NX600

Fonte: https://www.fujifilm.com/

O equipamento utiliza apenas 10 µL de amostra para testes colorimétricos e 50 µL para o perfil de íons por eletrodo seletivo (Na, K e Cl), tornando-se ideal para a rotina veterinária, especialmente em espécies de pequeno porte. Sua interface embarcada foi desenvolvida para oferecer uma operação intuitiva e simplificada, na qual basicamente dois comandos são suficientes para realizar uma análise bioquímica completa.

Além disso, o equipamento dispensa a necessidade de esgoto líquido, com parâmetros pré calibrados e possui dimensões compactas, comparáveis ao tamanho de um monitor de computador, facilitando sua instalação em clínicas e hospitais veterinários de diferentes portes.

Essa solução permite ampliar o acesso às análises bioquímicas em espécies pequenas, oferecendo mais praticidade, confiabilidade e agilidade na rotina laboratorial. A qualidade dos cartões de teste também possibilita a análise de amostras com interferências pré-analíticas, reduzindo a necessidade de recoletas e proporcionando menos estresse ao animal e ao tutor, além de maior produtividade, qualidade analítica e excelente custo-benefício.

Caso queira conhecer mais sobre a tecnologia de química seca, a Centerlab está à disposição. Entre em contato com nosso especialista pelo telefone +55 31 9948-1653.