Procalcitonina na prática clínica: soluções em Point of Care Testing para agilidade e precisão no diagnóstico

Procalcitonina na prática clínica: soluções em Point of Care Testing para agilidade e precisão no diagnóstico

Procalcitonina na Prática Clínica: Soluções em Point of Care Testing para Agilidade e Precisão no diagnóstico

Autor: Larissa Luana Dias Silva 

A sepse permanece entre as principais causas de mortalidade hospitalar em todo o mundo, configurando-se como uma síndrome complexa resultante de uma resposta inflamatória sistêmica desregulada desencadeada por uma infecção. Quando não identificada e tratada precocemente, pode evoluir rapidamente para disfunção orgânica múltipla, choque séptico e óbito. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, a sepse está associada a mais de 11 milhões de mortes anuais, representando aproximadamente uma em cada cinco mortes registradas globalmente. Nesse cenário, a identificação precoce da infecção e a rápida instituição da terapia adequada são fatores determinantes para a redução da mortalidade e melhoria dos desfechos clínicos.

Dentre os biomarcadores atualmente disponíveis para o manejo da sepse, a procalcitonina (PCT) destaca-se por sua elevada utilidade clínica no diagnóstico e monitoramento de infecções bacterianas sistêmicas. A PCT é um pró-hormônio da calcitonina, fisiologicamente produzido pelas células C da glândula tireoide. Em indivíduos saudáveis, suas concentrações séricas permanecem muito baixas. Entretanto, durante processos infecciosos bacterianos, diversos tecidos do organismo passam a produzir procalcitonina em resposta à ação de endotoxinas bacterianas e citocinas pró-inflamatórias, resultando em aumento significativo de sua concentração circulante.

A principal vantagem diagnóstica da procalcitonina está relacionada à sua especificidade para infecções bacterianas. Diferentemente de outros marcadores inflamatórios, como a proteína C reativa (PCR), os níveis de PCT tendem a permanecer baixos em processos inflamatórios não infecciosos e em infecções virais, permitindo maior precisão na diferenciação entre causas da resposta inflamatória sistêmica. Dessa forma, a procalcitonina constitui uma ferramenta valiosa na avaliação de pacientes com suspeita de sepse, bacteremia e outras infecções graves.

Além de sua aplicação diagnóstica, a procalcitonina apresenta importante papel no monitoramento da resposta terapêutica. Estudos demonstram que seus níveis séricos apresentam estreita correlação com a gravidade da infecção e respondem rapidamente à eficácia do tratamento instituído. A redução progressiva da concentração de PCT durante o acompanhamento clínico pode indicar controle adequado do processo infeccioso, enquanto valores persistentemente elevados podem sugerir falha terapêutica ou evolução desfavorável do quadro clínico.

Outro aspecto de grande relevância refere-se ao uso da procalcitonina como ferramenta de apoio à antibioticoterapia racional. A utilização indiscriminada de antimicrobianos representa um dos principais desafios da saúde pública mundial, contribuindo para o aumento da resistência bacteriana, elevação dos custos assistenciais e maior incidência de eventos adversos relacionados aos medicamentos. Nesse contexto, protocolos baseados na dosagem seriada de procalcitonina têm demonstrado eficácia na orientação para início, manutenção ou suspensão do tratamento antimicrobiano, promovendo o uso mais racional dos antibióticos sem comprometer a segurança do paciente.

A incorporação da tecnologia Point of Care Testing (POCT) ampliou significativamente o potencial de utilização da procalcitonina na prática clínica. Os testes realizados à beira-leito permitem a obtenção de resultados em poucos minutos, eliminando a necessidade de encaminhamento das amostras para laboratórios centralizados e reduzindo o tempo necessário para tomada de decisões terapêuticas. Em situações de sepse, nas quais cada hora de atraso no início do tratamento está associada ao aumento do risco de mortalidade, a disponibilidade imediata dos resultados representa um diferencial clínico relevante.

Os sistemas POCT destinados à dosagem de procalcitonina utilizam tecnologia de imunofluorescência para identificação e quantificação do biomarcador em amostras de sangue total, soro ou plasma. A metodologia oferece elevada sensibilidade analítica, rapidez na execução e facilidade operacional, tornando-se uma alternativa eficiente para hospitais, unidades de pronto atendimento, serviços de urgência e laboratórios clínicos.

Entre as soluções disponíveis para realização do teste de procalcitonina por POCT destacam-se os analisadores Finecare Plus, Finecare Plus SE e Finecare FX1. Esses equipamentos foram desenvolvidos para oferecer resultados rápidos e confiáveis, contribuindo para maior agilidade diagnóstica e suporte à tomada de decisão clínica.

Finecare Plus

O Finecare Plus é um analisador portátil baseado em imunofluorescência, projetado para ambientes que necessitam de praticidade e rapidez na execução dos exames. O equipamento apresenta design compacto, operação simplificada, alimentação bivolt e conectividade por cabo, possibilitando sua utilização em diferentes cenários assistenciais.

Figura 1: Finecare Plus

Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-plus/

Finecare Plus SE

O Finecare Plus SE representa uma evolução tecnológica da plataforma, mantendo a portabilidade e simplicidade operacional, porém incorporando recursos adicionais de conectividade. O equipamento dispõe de conexão Wi-Fi e Bluetooth, além de bateria com autonomia de até 22 horas, proporcionando maior flexibilidade para utilização em ambientes com alta demanda de mobilidade.

Figura 2: Finecare Plus SE
Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-se/

 

Finecare FX1

O Finecare FX1 destaca-se pela elevada performance analítica e pelo menor tempo de processamento dos testes. Utilizando metodologia otimizada baseada em marcador de Európio e sistema One Step, o equipamento permite obtenção de resultados de procalcitonina em aproximadamente oito minutos. Além da conectividade sem fio e da autonomia estendida de bateria, apresenta excelente desempenho para aplicações que exigem rapidez e precisão diagnóstica.

Figura 3: Finecare FX1

Fonte: https://celer.ind.br/equipamento/finecare-fx1/

A disponibilização de testes rápidos de procalcitonina por meio da tecnologia POCT representa um importante avanço na abordagem diagnóstica da sepse e das infecções bacterianas graves. Ao associar rapidez, precisão analítica e facilidade operacional, esses sistemas contribuem para diagnósticos mais precoces, otimização do uso de antimicrobianos e melhoria dos desfechos clínicos. Dessa forma, a integração de biomarcadores como a procalcitonina a plataformas Point of Care fortalece a segurança assistencial, aumenta a eficiência dos serviços de saúde e oferece suporte decisivo para uma medicina cada vez mais ágil, precisa e centrada no paciente.

Referências:

AZEVEDO, José Ribamar de Araújo; TORRES, Orlando Jorge Martins; CZECZKO, Nicolau Gregori; TUON, Felipe Francisco; NASSIF, Paulo Afonso Nunes; SOUZA, Gerson Deckmann de. Procalcitonina como biomarcador de prognóstico da sepse grave e choque séptico. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Rio de Janeiro, v. 39, n. 6, p. 456-461, 2012.

CARRILLO ESPER, Raúl; PÉREZ CALATAYUD, Ángel Augusto. Procalcitonina como marcador de procesos infecciosos en cirugía: conceptos actuales. Cirujano General, Ciudad de México, v. 35, n. 1, p. 49–55, 2013.

SOUTO-ROSILLO, María de Guadalupe; BASTIDA-GONZÁLEZ, Estefanía; VIDAL-SÁNCHEZ, Itzel Elizabeth. Procalcitonina en la práctica clínica. Medicina Interna de México, Cidade do México, v. 35, n. 6, p. 927-937, 2019.

MANRIQUE ABRIL, Fred; MENDEZ FANDIÑO, Yardany; HERRERA-AMAYA, Giomar; RODRIGUEZ, Johana; MANRIQUE-ABRIL, Ricardo. Uso de procalcitonina como diagnóstico de sepsis o shock séptico: revisión sistemática y metaanálisis. Infectio, Bogotá, v. 23, n. 2, p. 133–142, 2019.

JULIÁN JIMÉNEZ, Agustín; GARCÍA, Darío Eduardo; MERINOS SÁNCHEZ, Graciela; GARCÍA DE GUADIANA ROMUALDO, Luis; GONZÁLEZ DEL CASTILLO, Juan. Precisión diagnóstica de la procalcitonina para la bacteriemia en el servicio de urgencias: una revisión sistemática. Revista Española de Quimioterapia, v. 37, n. 1, p. 29-42, 2024.

A ciência por trás dos testes rápidos: como eles são desenvolvidos e validados

A ciência por trás dos testes rápidos: como eles são desenvolvidos e validados

Nos últimos anos, os testes rápidos revolucionaram o setor da saúde ao oferecer diagnósticos ágeis e acessíveis, permitindo decisões médicas mais eficazes e oportunas. Com a crescente necessidade de diagnósticos rápidos e precisos, esses dispositivos ganharam destaque em diferentes contextos clínicos, desde emergências hospitalares até triagens comunitárias e atendimento domiciliar.

Mas como esses testes são desenvolvidos e validados antes de serem comercializados? O processo envolve alta tecnologia, rigorosos protocolos científicos e aprovação de órgãos reguladores. Este artigo traz os princípios científicos, as etapas de desenvolvimento e os métodos de validação dos testes rápidos, garantindo que eles ofereçam resultados confiáveis para a prática clínica.

Os fundamentos científicos dos testes rápidos

Os testes rápidos utilizam princípios bioquímicos e imunológicos para detectar substâncias específicas em amostras biológicas, como sangue, urina e saliva. A precisão desses dispositivos depende de técnicas avançadas de reconhecimento molecular, que garantem a detecção seletiva de biomarcadores clínicos. 

Imunocromatografia de fluxo lateral 

imunocromatografia de fluxo lateral é a tecnologia mais utilizada nos testes rápidos. Essa técnica permite a detecção de antígenos ou anticorpos com alta sensibilidade e especificidade. Seu funcionamento segue os seguintes passos: 

– A amostra biológica é aplicada em um substrato poroso que contém partículas conjugadas com anticorpos específicos. 

– Caso o biomarcador-alvo esteja presente, ele se liga ao anticorpo conjugado, formando um complexo. 

– Esse complexo migra por capilaridade até a zona de detecção, onde interage com outro anticorpo imobilizado, gerando um sinal visual (linha colorida). 

Essa metodologia é amplamente utilizada em testes rápidos para doenças infecciosas, como HIV, dengue e COVID-19, pois oferece um diagnóstico rápido e confiável sem a necessidade de equipamentos sofisticados. 

Reações enzimáticas e colorimétricas 

Os testes baseados em reações enzimáticas utilizam catalisadores biológicos para converter um substrato específico em um produto detectável visualmente. Essa tecnologia é empregada em testes como: 

– Glicemia capilar – onde a glicose reage com a glicose-oxidase, produzindo uma coloração proporcional à sua concentração. 

– Testes bioquímicos rápidos – que utilizam enzimas específicas para detectar substâncias como ureia e creatinina. 

Essas reações são fundamentais para a obtenção de resultados quantitativos rápidos em ambientes clínicos e laboratoriais. 

Amplificação molecular rápida 

Com o avanço da biotecnologia, técnicas de amplificação molecular rápida têm sido incorporadas aos testes rápidos para aumentar a sensibilidade diagnóstica. Métodos como LAMP (Loop-mediated Isothermal Amplification) permitem a amplificação de DNA ou RNA em temperatura constante, sem a necessidade de termocicladores complexos, como os utilizados na PCR tradicional. 

Essa abordagem tem sido essencial para o diagnóstico de doenças infecciosas, especialmente na detecção de vírus como SARS-CoV-2 e Influenza, garantindo rapidez e alta precisão. 

O desenvolvimento dos testes rápidos 

A criação de um teste rápido exige um processo rigoroso de pesquisa, design e validação para garantir sua eficiência e reprodutibilidade. Esse desenvolvimento segue etapas bem definidas.

1. Identificação do biomarcador-alvo

O primeiro passo no desenvolvimento de um teste rápido é a escolha do biomarcador que será detectado. Esse biomarcador deve apresentar: 

– Alta especificidade – ser exclusivo da doença ou condição investigada. 

– Concentração mensurável – estar presente em níveis detectáveis nas amostras biológicas. 

– Estabilidade química – resistir a variações de temperatura e transporte. 

Biomarcadores comuns incluem proteínas virais, enzimas, hormônios e metabólitos específicos.

2.  
Seleção dos reagentes biológicos

Os reagentes utilizados nos testes rápidos, como anticorpos, enzimas e nanopartículas, precisam ser altamente específicos para minimizar reações cruzadas. Os principais desafios nesta etapa incluem: 

– Produção de anticorpos monoclonais – garantindo alta especificidade. 

– Otimização de conjugados de nanopartículas – para aumentar a visibilidade do sinal. 

– Desenvolvimento de substratos estáveis – que não degradem ao longo do tempo.

3. Design do dispositivo e otimização

Após a seleção dos reagentes, o dispositivo precisa ser projetado para garantir funcionalidade e facilidade de uso. Alguns aspectos fundamentais incluem: 

– Tempo de reação ideal – geralmente entre 5 e 20 minutos. 

– Volume da amostra necessário – mínimo possível para maior conveniência. 

– Portabilidade e ergonomia – facilitando o manuseio em diferentes ambientes clínicos. 

Testes piloto são conduzidos para verificar a robustez do design e corrigir possíveis falhas antes da validação clínica. 

Processo de validação e aprovação regulatória 

A validação de um teste rápido é um processo crítico para garantir sua confiabilidade antes de sua introdução no mercado. Esse processo envolve diversas análises laboratoriais e ensaios clínicos rigorosos. 

Testes de precisão e especificidade 

Os ensaios clínicos avaliam o desempenho do teste rápido em comparação com métodos laboratoriais tradicionais. Os principais parâmetros analisados incluem: 

– Sensibilidade diagnóstica – capacidade de identificar corretamente os casos positivos. 

– Especificidade diagnóstica – capacidade de evitar falsos positivos. 

– Reprodutibilidade – consistência dos resultados em diferentes amostras e condições. 

Estabilidade e armazenamento 

Além da precisão, os testes rápidos precisam ser estáveis durante o transporte e armazenamento. Ensaios de estabilidade são realizados para avaliar fatores como: 

– Resistência a variações de temperatura e umidade. 

– Durabilidade dos reagentes ao longo do tempo. 

– Conservação da funcionalidade em diferentes condições ambientais. 

Certificações e aprovação de órgãos reguladores 

Para serem comercializados, os testes rápidos precisam cumprir rigorosos requisitos de certificação estabelecidos por órgãos reguladores internacionais, como: 

– ANVISA (Brasil) – regulamenta dispositivos médicos e in vitro. 

– FDA (EUA) – controla a qualidade de produtos diagnósticos no mercado norte-americano. 

– CE-IVD (Europa) – certificação europeia para dispositivos de diagnóstico in vitro. 

Essas certificações garantem que os testes atendam aos padrões de qualidade e segurança exigidos para seu uso clínico. 

O impacto dos testes rápidos na medicina moderna 

A implementação de testes rápidos trouxe avanços significativos para a medicina diagnóstica, proporcionando benefícios como: 

– Diagnóstico precoce e tratamento imediato – reduzindo complicações e hospitalizações. 

– Descentralização dos exames laboratoriais – permitindo testes em locais remotos. 

– Otimização dos custos de saúde – reduzindo despesas hospitalares e laboratoriais. 

Além disso, os testes rápidos desempenham um papel essencial no monitoramento epidemiológico e na prevenção de surtos de doenças infecciosas. 

Pesquisa rigorosa, validação laboratorial e certificação regulatória 

Os testes rápidos representam um marco na evolução do diagnóstico clínico, combinando avanços em biotecnologia e engenharia para oferecer soluções ágeis e precisas. O processo de desenvolvimento desses dispositivos envolve rigorosa pesquisa científica, validação laboratorial e certificação regulatória, garantindo sua confiabilidade para uso clínico. 

Com a crescente necessidade de diagnósticos rápidos e eficientes, a tecnologia dos testes rápidos continuará a desempenhar um papel crucial na medicina moderna. 

Referência:
– Blog da Celer