por CenterLab | dez 3, 2018 | Informativos

SEPSE
Antigamente a sepse era conhecida como septicemia ou infecção no sangue, atualmente é conhecida como infecção generalizada. A sepse é definida como resposta inflamatória sistêmica na presença de infecção, seja ela causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Em torno de 2% a 11% das internações hospitalares e nas unidades de terapia intensiva (UTI) são por essa doença, sendo a sepse a principal causa de morte nas UTI, onde a mortalidade atinge níveis alarmantes variando na maioria dos estudos entre 20% e 80%. Manifestando-se como diferentes estágios clínicos de um mesmo processo fisiopatológico, é um desafio para o médico de praticamente todas as especialidades, dada a necessidade de pronto reconhecimento e tratamento precoce. Portanto a sepse representa um grande desafio para a medicina.

A incerteza diagnóstica leva frequentemente a excessos no uso de antibióticos, gerando aumento do índice de resistência bacteriana. O uso de antibióticos na fase de suspeita de infecção, em situações de gravidade elevada, é bastante justificável, já que alguns estudos demonstraram que a instituição precoce de antibióticos reduz a mortalidade em pacientes portadores de infecções graves. Entretanto, esses medicamentos frequentemente são mantidos por períodos mais longos do que o necessário.
Nesse sentido, o diagnóstico e monitorização da doença são fatores importantíssimos para uma boa evolução no quadro clínico do paciente.
Caracterização da sepse

Principais manifestações clínicas da sepse grave

Diagnóstico
Existem várias moléculas protéicas relacionadas à resposta inflamatória. Dentre eles, a proteína C reativa (PCR) e a procalcitonina (PCT) foram os marcadores biológicos mais amplamente estudados como ferramentas auxiliares na condução de pacientes com suspeita de infecções bacterianas. Isso se deve a maior facilidade técnica de mensuração dessas moléculas, as quais possuem testes comerciais bem padronizados e automatizados, sendo executado em grande parte dos laboratórios de análises clínicas.
Proteína C reativa (PCR)
A PCR é uma das proteínas de fase aguda induzidas por citocinas, cujos níveis aumentam durante uma resposta geral e inespecífica a infecções e processos inflamatórios não infecciosos. As concentrações de PCR são normalmente baixas no sangue de indivíduos saudáveis; 99% da população têm níveis abaixo de 10mg/L. Esse limiar é frequentemente excedido dentro de 4 a 8 horas após um evento inflamatório agudo, com valores de PCR atingindo aproximadamente 20 a 500mg/L. Como níveis elevados de PCR estão sempre associados a alterações patológicas, o ensaio de PCR fornece informações para o diagnóstico, terapia e monitoramento de doenças inflamatórias.
Procalcitonina (PCT)
A procalcitonina (PCT) é uma proteína precursora do hormônio calcitonina. É produzido pelas células para-foliculares (células
C) da tiróide e pelas células neuroendócrinas do pulmão e intestino. O nível de PCT aumenta rapidamente após uma infecção bacteriana com consequências sistêmicas, atingindo seu nível máximo em 24 a 48 horas após a sepse. Em indivíduos saudáveis, as concentrações plasmáticas de PCT estão abaixo de 0,05 ng/mL, mas podem aumentar até 1.000 ng/mL em pacientes com sepse grave ou choque séptico. A PCT também pode ser elevado devido a outras situações tais como uma grande cirurgia, queimaduras graves ou em recém-nascidos. No entanto, retorna ao respectivo valor normal rapidamente. Infecções virais, colonização bacteriana, infecção localizada, distúrbios alérgicos, doenças autoimunes e rejeição de transplantes, normalmente não induzem uma resposta significativa PCT (valores < 0,5 ng/mL). Portanto, a PCT tem sido estudada como um biomarcador de sepse, para auxiliar no diagnóstico e exclusão da sepse e para orientar o início e o término de antibióticos.
Critérios diagnósticos para Sepse – Sinais e sintomas comumente encontrados em pacientes sépticos

Tanto o ensaio de PCR quanto o de PCT são úteis para orientar a redução do uso de antibióticos em pacientes com sepse. Nesse sentido a Centerlab disponibiliza testes para detecção dos marcadores de infecção utilizando a tecnologia “Point of care” com metodologia de imunofluorescência, proporcionando resultados confiáveis em poucos minutos.
– PCT PROCALCITONINA KIT C/10 TESTES – CÓD. 02353

– PCR PROTEÍNA C REATIVA KIT C/20 TESTES – CÓD. 02352

– PROCALCITONINA QUANTITATIVO – KIT C/25 TESTES – CÓD. 01910

– PCR QUANTITATIVO – KIT C/25 TESTES – CÓD. 03040

Referências:
– Sepse Brasil: Estudo Epidemiológico da Sepse em Unidades de Terapia Intensiva Brasileiras. Sales Júnior, J.A.L et al. RBTI – Revista Brasileira Terapia Intensiva.Volume 18 – Número 1 – Janeiro/Março 2006.
– Procalcitonin versus C-reactive protein for guiding the antibiotic therapy in sepsis: a randomized trial. Oliveira, C.F. et al. Critical Care Medicine. October 2013 – Volume 41 – Number 10.
– Sepse: um problema de saúde pública. Instituto Latino-Americano para Estudos da Sepse (ILAS). Brasília: Conselho Federal de Medicina, 2015.
por CenterLab | out 31, 2018 | Informativos

Marcadores Cardíacos

As doenças cardiovasculares são as principais causas de mortalidade e morbidade no Brasil. As prevenções dessas doenças são prioritárias para o sistema de saúde e requerem múltiplas abordagens para aumentar sua eficácia. Os marcadores são ferramentas utilizadas para identificar com mais rapidez, assim como auxiliar no tratamento e na determinação do prognóstico. A evolução do conhecimento da isquemia miocárdica, e o surgimento de novas tecnologias capazes de detectar moléculas envolvidas em diferentes etapas desse processo, geraram a um elevado número de biomarcadores para avaliação da síndrome coronariana aguda (SCA). No entanto, um dos aspectos relevantes na escolha do marcador é a custo-efetividade, uma vez que grande parte desses ensaios possui um elevado custo e apenas alguns apresentam acurácia comparável a métodos de diagnósticos tradicionais.
CK-MB Massa
A fração MB da creatinofosfoquinase (CK-MB) por muito tempo tem sido considerada um marcador para o diagnóstico de IAM (infarto agudo do miocardio), porém é menos sensível e específica, em comparação com outros marcadores cardíacos. Aproximadamente 30% dos pacientes com desconforto torácico em repouso e que não apresentam elevação da CK-MB, terão um diagnóstico de IAM quando avaliados pela dosagem das troponinas cardíacas. Além disso, baixos níveis de CK-MB podem ser encontrados no sangue de pessoas saudáveis, assim como níveis elevados ocorrem com lesão do músculo esquelético. A concentração da CK-MB se eleva de 3 a 8 horas após o processo lesivo, atinge um pico em 24 horas e normaliza em 72 a 96 horas após um episódio único e limitado. A intensidade da elevação se correlaciona com o volume de tecido lesado e com o prognóstico. Preferencialmente, deve-se realizar a dosagem da massa de proteína correspondente à isoenzima (CK-MB massa) e não da atividade enzimática. Enquanto a dosagem de CK-MB por ensaios bioquímicos determina a atividade da enzima, o teste de CK-MB massa por ensaios imunométricos detecta sua concentração, independentemente de sua atividade, o que torna o CK-MB massa mais confiável que os testes de CK-MB atividade. Desta maneira, o CK-MB massa apresenta melhor sensibilidade analítica, pois detecta enzimas ativas e inativas.
Troponina I

A troponina teve sua aplicação validada em diversos ensaios clínicos, sendo incorporada às principais diretrizes e consensos internacionais como elemento imprescindível para o diagnóstico de IAM. A troponina Ié altamente específica e sensível à necrose
miocárdica, e também reveste de valor prognóstico independente após IAM, pois sua concentração depende da quantidade de músculo infartado. A troponina I não é detectável no sangue de pessoas sadias, e mostra um aumento proporcionalmente bem maior acima dos valores limite nos casos de infarto do miocárdio e pode permanecer elevada por 7 a 10 dias após o episódio agudo. Alguns estudos demonstraram que o primeiro sinal de elevação das concentrações de troponina em pacientes com IAM ocorria já com 3,5 h de evolução em 50% dos casos, sendo necessárias 4,75 h, em média, para se obter a mesma taxa de comprometimento com a CK-MB. Com 7 h de evolução, 95% dos pacientes apresentavam alteração da troponina, fato só igualado com a CK-MB após 12 h de início dos sintomas.
Peptídeo natriurético cerebral e seu frangmento N-terminal (NT-proBNP)
O pro-peptídeo natriurético cerebral (NT-proBNP) que consiste de 76 aminoácidos, é um fragmento N-terminal do prohormônio do peptídeo natriurético cerebral. O nível do NT-proBNP na corrente sanguínea é usado para rastreio ou diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva aguda e pode ser utilizado para estabelecer prognóstico de insuficiência cardíaca que é normalmente mais elevada em pacientes com piora na evolução. O NT-proBNP pode ser usado como uma ferramenta de rastreio de disfunção ventricular em pacientes com história sugestiva de doenças cardíacas e ser utilizado como um teste para triagem, auxiliando assim o encaminhamento do paciente e otimização da terapia medicamentosa.
O Fragmento N-Terminal (NT-proBNP) é de fácil determinação laboratorial e tem boa reprodutibilidade. A maioria dos estudos em pacientes acometidos por IAM, mesmo sem disfunção ventricular ou elevação do segmento ST, descreve uma associação positiva entre níveis elevados desses peptídeos e a mortalidade ou reinfarto no primeiro ano após o episódio agudo e com o remodelamento ventricular 6 meses a 1 ano após.
Ensaios desenvolvidos para o fragmento N-terminal do pró-BNP (NT-proBNP) tem se mostrado muito eficazes para evidenciar a disfunção ventricular. Apresentam sensibilidade de 82% e especificidade de 92% para diagnostico de ICC (insuficiência cardíaca congestiva). Os níveis de NT-proBNP podem ajudar os médicos a distinguir uma insuficiência cardíaca de outros problemas, tais como doença respiratória.
Dímero D

O D-Dímero é o menor produto da degradação da fibrina. Os fragmentos de D-dímero podem ser medidos facilmente no plasma ou no sangue e a sua presença ou ausência pode ser útil na avaliação do diagnóstico de tromboembolismo venoso.
O conceito de que o dímero-D trata-se de um produto de degradação de fibrina está bem enraizado na literatura. Dessa forma, qualquer doença que produza trombos terá elevação de dímero-D, fato esse verificado e amplamente utilizado no tromboembolismo pulmonar. No entanto, na dissecção aguda de aorta (DAA) o dímero-D havia sido estudado somente em estudos retrospectivos e, apesar de não validado, apresentava boa correlação também.
O uso do dímero D em situações de emergência de dor torácica é útil no diagnóstico diferencial da embolia pulmonar.
A tecnologia “Point of Care” (POC) proporciona resultados desses marcadores cardíacos com alto valor clínico em um ambiente crítico, onde o tempo é um fator determinante. Essa nova tecnologia oferece segurança a partir de resultados padronizados e com excelente correlação com outras metodologias.
A Centerlab, através de seus parceiros Celler e Eco diagnóstica disponibiliza os testes para detecção dos marcadores cardíacos em poucos minutos através da metodologia de imunofluorescência utilizando a tecnologia Point of Care.
Conheça a nossa linha de marcadores cardíacos!

– CÓD. 02364 – PAINEL CARDÍACO (cTnI/CK-MB/Myo) QUANTITATIVO

– CÓD. 01817 – DDIMERO – 25 Testes

– CÓD. 01906 – NT-PRO BNP QUANTITATIVO – 25 Testes

– ANALISADOR FINECARE POR FLUORESCÊNCIA


– CÓD. 01704 – TROPONINA I – Teste Rápido – 20 Cassete

– CK MB MASSA

– CÓD. 02387 – D-Dímero – KIT C/20 Testes

– ANALISADORES F-LINE POR FLUORESCÊNCIA FIA

Referências:
– Biomarcadores em Cardiologia – Parte 2: Na Doença Coronária, Doença Valvar e Situações Especiais. Arq Bras Cardiol. 2015; 104(5):337-346.
– Comparação entre Troponina I Cardíaca e CK-MB Massa em Síndrome Coronariana Aguda sem Supradesnivelamento de ST.
– Santos.E.S.; Baltar,V.T; Pereira,M.P; Minuzzo,L; Timerman,A; Avezum,A. Arq Bras Cardiol 2011; 96(3) : 179-187.
– Nível de NT-proBNP em Pacientes com Síndrome Coronariana Aguda sem Supradesnivelamento do Segmento ST. Castro, L.R.A; Alencar,M.C.N; Barbosa,M.M; Nunes,M.C.P; Cardoso, J.R; Ribeiro,A.L.P. Arq Bras Cardiol 2011;97(6):454-461.
– Avaliação imediata da troponina I cardíaca em pacientes submetidos à revascularização do miocárdio. Leal, J.C.F.; Braile, D.M.; Godoy, M.F.; Purini Neto,
J.; Paula Neto,A.; Ramin, S.L.; Zaiantchick, M. Rev Bras Cir Cardiovasc 1999; 14 (3): 247-53.
– Dímero-D tem alguma utilidade em pacientes com suspeita de disseção aórtica? Alexandre Seiro. Disponível em: < https://cardiopapers.com.br/dimero-dem- pacientes-com-suspeita-de-disseccao-aguda-de-aorta-funciona/> Acesso em: 26 de Outubro de 2018.
por CenterLab | set 27, 2018 | Informativos

Doenças Respiratórias
As doenças respiratórias representam mais de 10% de todos os anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALY), uma métrica que estima a quantidade de perda de vida ativa e produtiva devido a alguma doença, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Em conjunto, mais de um bilhão de pessoas sofrem de condições respiratórias agudas ou crônicas.A crua realidade é que, a cada ano, quatro milhões de pessoas morrem prematuramente de doenças respiratórias crônicas. Os bebês e as crianças pequenas são particularmente suscetíveis. Nove milhões de crianças com menos de 5 anos de idade morrem anualmente e a pneumonia é a principal causa a nível mundial.
No Brasil apenas no primeiro semestre de 2018 foram notificados 686 óbitos dentre os pacientes que foram hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Influenza
A influenza ou gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório, ocasionada pelo vírus influenza, com elevado potencial de transmissão. Sua principal complicação são as pneumonias. É uma doença muito comum em todo o mundo, sendo possível uma pessoa adquirir influenza várias vezes ao longo de sua vida.
Três tipos de vírus influenza circulam no Brasil: A, B e C. O tipo C causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na saúde pública, não estando relacionado com epidemias. O vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus influenza A responsável pelas grandes pandemias.


Legionella
O gênero Legionella é um grupo patogênico de bactérias gram-negativas. A Legionella pneumophila, é o principal agente causador da legionelose. A gravidade da legionelose varia de doença leve febril (febre de Pontiac) e uma forma potencialmente fatal de pneumonia (Doença do legionário) que pode afetar qualquer pessoa, mas afeta principalmente aqueles que são susceptíveis devido à idade, doença, imunossupressão e outros fatores de risco como tabagismo. A doença do legionário é reconhecida como a maior forma de pneumonia associada a viagens, cerca de 20% dos casos de legionelose detectada na Europa é considerada relacionada a viagens. Dos casos relatados, 75% a 80% têm mais de 50 anos e 60% a 70% são homens.

RSV
O vírus sincicial respiratório (VSR ou RSV sigla em inglês) é um vírus RNA envelopado que pode ser encontrado no mundo inteiro, tende a aparecer anualmente, no final do outono até o início da primavera. O RSV é um dos principais agentes etiológicos das infecções que acometem o trato respiratório inferior entre lactentes e crianças menores de 2 anos de idade, podendo ser responsável por até 75% das bronqueolites e 40 % das pneumonias durante os períodos de sazonalidade. As infecções causadas pelo RSV segundo a OMS é responsável por cerca de 60 milhões de infecções com 160.000 mortes anuais em todo mundo. No Brasil, embora não haja vigilância epidemiológica oficial para RSV, estudos indicam que a carga da doença entre nós assemelha-se aos relatos mundiais. A prematuridade é o principal fator de risco para hospitalização pelo RSV. A prematuridade é o principal fator de risco para hospitalização pelo RSV. Sistema imune imaturo, reduzida transferência de anticorpos maternos e reduzido calibre das vias aéreas são as condições associadas ao elevado risco.

Strep A
O estreptococo do grupo A (Strep A) é uma bactéria comumente encontrada no trato respiratório, alimentar e genital, bem como na pele e em membranas mucosas. A maioria das infecções por Strep A são bastante leves, como garganta inflamada ou impetigo. Em raras ocasiões, estas bactérias podem causar infecção invasiva e até mesmo doenças que ameaçam a vida. Duas das formas mais graves da doença invasiva do estreptococo do grupo A são a fasciíte necrótica e a síndrome do choque tóxico estreptocócico (STSS). A fasciíte necrótica rapidamente destrói os músculos, gordura e tecido da pele. A síndrome de choque tóxico estreptocócico faz com que a pressão arterial caia rapidamente e os órgãos falhem. As doenças invasivas menos graves causadas pelo Strep A incluem celulite infecciosa e pneumonia.

O diagnóstico etiológico das infecções de trato respiratório agudo é baseado na sintomatologia apresentadas pelo paciente. No entanto, a detecção acurada da etiologia viral/bacteriana é de extrema importância para guiar a terapia, prevenir disseminações intra-hospitalares, proporcionar vigilância, e em alguns casos, diminuir custos hospitalares, dias de internação e principalmente acrescentar conhecimento sobre a epidemiologia das infecções respiratórias.
Nesse sentido, a Eco diagnóstica lançou recentemente a linha de diagnóstico rápido de doenças respiratórias, utilizando um sistema de detecção imunofluorescente com o analisador ECO Reader F, que fornece um sistema significativamente rápido, fácil e preciso para identificar o antígeno alvo.
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por CenterLab | set 5, 2018 | Informativos

Editorial
Esteatose Hepática
A esteatose hepática é classificada em dois grandes grupos: causada por consumo excessivo e crônico de bebidas alcoólicas; por outros fatores de risco, tais como obesidade, dislipidemias, Diabetes tipo 2 entre outros, denominada Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA).
A DHGNA é caracterizada pela infiltração gordurosa do fígado, que pode ser diagnosticada em exames por imagem, podendo ou não estar associada às alterações necro-inflamatórias e fibrose diagnosticada pela biópsia hepática, e pode evoluir para cirrose e carcinoma hepatocelular. Ocorre em indivíduo sem histórico de ingestão significativa de álcool, que não apresentem outra doença hepática que possa justificar a esteatose e na maioria dos casos está associada à síndrome metabólica.
Epidemiologia
Estima-se que a prevalência da DHGNA ao redor do mundo varia de 20 a 30%. Entretanto esses índices podem sofrer variações e influências dos diversos métodos empregados para o diagnóstico da doença. No Brasil, a prevalência da DHGNA não é conhecida, mas a de esteatose, avaliada por ultrassonografia está estimada em 18%. Em análise de biópsias hepáticas de obesos graves, a frequência de esteatose, esteato-hepatite não alcoólica e cirrose foram, respectivamente, de 48%, 37% e 5% (SBH/2009).
Evolução da doença hepática no fígado


Fatores de Risco
São consideradas condições que propiciam a DHGNA: obesidade, diabetes mellitus, distúrbios do colesterol, desnutrição (especialmente deficiência protéica) e drogas tóxicas ao fígado (antibióticos, produtos tóxicos, intoxicações).
Diagnóstico
A grande maioria dos pacientes não apresentam sinais ou sintomas, e a doença normalmente é inicialmente identificada porque o paciente realizou uma ultrassonografia de abdômem como parte de seus exames clínicos de rotina ou periódicos.
Pacientes com suspeita de DHGNA devem ser submetidos à investigação de fatores metabólicos de risco e fatores de progressão de doenças no fígado.
Avaliação Clínica: Deve-se verificar o histórico do consumo de álcool, informações sobre o uso de drogas, medicações, exposição a toxinas ambientais e antecedentes epidemiológicos associados ao vírus da hepatite. O exame físico deve ser completo, com atenção especial para os níveis da pressão arterial, índice de massa corpórea e circunferência da cintura. Nos casos de doença mais avançada, atenção à presença de hepatomegalia e sinais de insuficiência hepática.
Avaliação Laboratorial: Deve-se incluir a dosagem de aminotransferases (ALT e AST), Gama GT, Fosfatase Alcalina, função
hepática (Proteínas Totais e Albumina) e bilirrubinas totais, direta e indireta. O perfil lipídico (Colesterol Total, LDL, HDL e Triglicérides), níveis séricos de glicemia e insulina também devem constar na avaliação porque ajudam a identificar fatores de risco e caracterizar a síndrome metabólica.
Além da avaliação clínica e laboratorial, métodos de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética são de grande importância para o diagnóstico da DHGNA. Entretanto, em muitos casos é necessária a realização de biópsia hepática e estudo histológico.
Enzimas
Aminotransferases, fosfatase alcalina e gama glutamil transferase, são denominadas de enzimas hepáticas. Embora essas enzimas não sejam organo-específicas, elevam-se mais frequentemente em pacientes com doença hepática.
A determinação da atividade sérica dessas enzimas possibilita estabelecer o tipo de lesão hepática, seja hepato celular ou colestática, mas não podem ser utilizadas para o diagnóstico diferencial das hepatites, nem para indicar se a colestase é intra ou extra-hepática. Essa determinação enzimática é importante para orientar a sequência diagnóstica, direcionando a escolha de exames sorológicos específicos, técnicas de imagem e biópsia.

Algumas doenças adquiridas ou hereditárias e diversos medicamentos são capazes de afetar uma ou mais etapas envolvidas na produção, captação, armazenamento, metabolismo e excreção da bilirrubina. Dependendo do distúrbio, a bilirrubina não-conjugada (indireta), a conjugada (direta) ou ambas (total), são as principais contribuintes da hiperbilirrubinemia.
As causas mais comuns de aumento da bilirrubina direta são as doenças hepatobiliares e obstrução da árvore biliar (colestase). Na realidade, ambas as bilirrubinas estarão aumentadas e pode-se observar uma variação ampla das concentrações séricas de cada forma de bilirrubina. Hepatite e cirrose são exemplos de doenças que podem causar colestase intra-hepática. A obstrução extrahepática da árvore biliar devido a carcinoma ou fibrose da cabeça do pâncreas, carcinoma ou constrições do canal biliar comum e coledocolitíase, produzem concentrações séricas aumentadas de bilirrubina direta.
Tratamento
Para pacientes com esteatose isolada recomenda-se controle dos fatores de risco, se necessário com drogas específicas e
mudanças no estilo de vida.
A mudança no estilo de vida, incluindo a redução progressiva de peso, diminuição da ingestão de carboidratos e gordura saturada; acompanhada de exercícios físicos regulares podem contribuir para o controle metabólico e melhorar as alterações hepáticas.
O tratamento farmacológico apenas deve ser iniciado após modificações adequadas do estilo de vida sem alteração do curso da doença. A farmacoterapia visa melhora da resistência insulínica, diminuição dos níveis lipídicos e do peso, além do controle do diabetes.
É de importância fundamental o conhecimento do prognóstico para tratar a esteatose e a esteato-hepatite. Além da educação
dietética, controle do metabolismo glicídico e lipídico, o papel do médico é essencial para o seu manuseio; através da identificação e tratamento adequado dos componentes da síndrome metabólica que contribuem para morbimortalidade hepática e cardiovascular.
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Referências:
Doença hepática gordurosa não alcoólica – Consenso da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Programa de Educação Médica Continuada – Doença hepática gordurosa não alcoólica – Sociedade Brasileira de Hepatologia. Mincis, moysés – Interpretação da elevação sérica de enzimas hepáticas em pacientes assintomáticas. Doença gordurosa não alcoólica no fígado – Reunião monotemática da SBH – 2012. Instruções de uso BIli- T Liquiform Ref. 94 – Labtest Conheça os principais produtos para avaliação da função hepática!
por CenterLab | ago 30, 2018 | Informativos
5 passos para aumentar a lucratividade dos laboratórios clínicos
Nossa, nunca realizei tantos exames como nesse mês, e o meu chefe continua reclamando que o financeiro vai mal; como pode isso?
A percepção muitas vezes é a inimiga número um da gestão financeira em laboratórios clínicos, quando os colaboradores não são apresentados aos números do seu setor.
O fluxo de dinheiro em um setor técnico como o da bioquímica, por exemplo, é o responsável por uma boa parte da solvência do laboratório clínico, ou seja, a capacidade que a empresa tem de quitar os seus compromissos de curto prazo.
Que tal verificar como anda a produtividade financeira dos setores do seu Laboratório?
Veja os cinco passos par aumentar sua lucratividade:
1. Estabeleça a relação entre a produtividade esperada x produtividade realizada para cada kit ou insumo.
Produtividade esperada é aquela informada pelo fabricante do kit, conforme o equipamento utilizado pelo laboratório e a programação específica para esse kit, produtividade realizada é o quanto o kit realmente produziu.
Sabemos que durante o processo produtivo, alguns testes são consumidos para realização de calibração e controles. Até aí, tudo bem! Entretanto, quando a diferença entre o que se espera produzir e o que realmente é produzido for maior, já descontando o consumo com calibrações e controles, aí o gestor tem que investigar onde está sendo perdida a produtividade.
É o famoso “ralo” da área técnica.

Exemplo:
Um kit de colesterol tem produtividade esperada de 500 testes; foram vendidos 300 testes cujo valor financeiro arrecadado foi de R$ 3.000,00. Foram gastos 100 testes com calibrações e controles. Portanto, houve uma “quebra” de 100 testes que merecem ser investigadas, pois representam 20% da produtividade esperada.
Provavelmente, essa perda está na repetição e no desperdício que alguns sistemas analíticos impõem aos insumos reagentes.
2. Estabeleça o índice de produtividade dos setores.
É muito importante que o Gestor do laboratório se habitue a gerir o seu negócio através de indicadores. Uma vez estabelecida a relação produtividade esperada x produtividade realizada, o resultado dessa relação deverá ser utilizado como um índice a ser acompanhado com uma periodicidade definida.
Exemplo:
- Produtividade esperada para o setor de bioquímica = 10.000 testes;
- Produtividade realizada pelo setor de bioquímica = 6.000 testes;
- Índice de produtividade: realizada/esperada – 6.000/10.000 = 0,6.
Ter metas claras e objetivas é essencial para uma gestão eficiente.
3. Conscientize sua equipe. Dinheiro não aceita desaforo!
Enxergar o fluxo financeiro dentro da área técnica proporciona aos executores dos processos de análise, uma dimensão de valor reconhecidamente importante. Na hora de repetir um exame ou desperdiçar um reagente, se estiver claro quanto custa para o setor, provavelmente o analista pensará melhor, ou no mínimo sentirá um mal-estar; afinal ninguém rasga dinheiro, não é mesmo?
Exemplo:
- Produtividade esperada para o setor bioquímica:
10.000 testes x R$ 6,00 por teste (média) = R$ 60.000,00
- Produtividade realizada para o setor bioquímica:
6.000 testes x R$ 6,00 por teste (média) = R$ 36.000,00
- Desperdício / perda = R$ 24.000,00.
4. Dedique-se a melhorar seu índice de produtividade.
O índice ideal deve aproximar-se de 1; como melhorá-lo?
- Melhorando a taxa de repetição de exames e a taxa de desperdício;
- Pesquisando automações mais econômicas e produtivas.
Mesmo laboratórios com rígidos programas de controle de qualidade, equipamentos modernos e profissionais qualificados insistem na prática inadvertida de repetição de exames. Esta prática, obviamente sem critérios bem definidos, aliada ao desperdício de insumos e reagentes, muitas vezes reconstituídas e não aproveitadas ou não utilizadas em sua plenitude, devido à obsolescência da automação utilizada, são as responsáveis por um percentual considerável de perda de lucratividade.
5. Faça Gestão a Vista.

Divulgue os números da empresa entre os colaboradores.
Requer certa dose de coragem promover essa cultura, pois alguns paradigmas deverão ser quebrados, principalmente aqueles relacionados à divulgação de informações financeiras da empresa, saindo do campo fértil das percepções e transitando para o campo seguro dos dados e informações.
A divulgação periódica de indicadores financeiros associados a outros indicadores de gestão empresarial denomina-se Gestão a Vista.
O propósito é tornar clara e acessível a todos os colaboradores da organização, quais são os resultados alcançados individualmente, pela equipe e pela empresa.
Colaboradores que se sentem incluídos nas decisões das empresas se tornam mais participativos e produtivos.
Pratique essas ideias e veja a lucratividade de seu laboratório aumentar!
Paulo Ribeiro
Paulo Ribeiro é consultor sênior na empresa LABCONSULTORIA e no Sistema SEBRAE.
Para maiores informações: labconsultoria.gestao@gmail.com – (32) 98872-7263 – www.labconsultoria.org