Hemocultura na Sepse: Impacto Diagnóstico, Avanços Tecnológicos e Benefícios da Automação Laboratorial

Hemocultura na Sepse: Impacto Diagnóstico, Avanços Tecnológicos e Benefícios da Automação Laboratorial

Autor: Larissa Luana Dias Silva

A hemocultura constitui um exame fundamental na prática da microbiologia clínica, sendo realizada com o objetivo de identificar a presença de microrganismos na corrente sanguínea. Sua relevância diagnóstica é amplamente reconhecida, uma vez que infecções na corrente sanguínea estão associadas a elevadas taxas de morbimortalidade, especialmente nos casos de sepse. Nesse contexto, o laboratório de análises clínicas exerce papel decisivo na condução terapêutica, pois a detecção de hemoculturas positivas permite a identificação do agente etiológico e subsidia a escolha adequada da antibioticoterapia.

A presença de microrganismos viáveis no sangue pode ocorrer em situações de disfunção imunológica ou ruptura de barreiras naturais do organismo. Na sepse, é comum a presença contínua e persistente de patógenos circulantes, tornando a hemocultura o exame primordial para confirmação diagnóstica e monitoramento clínico. 

Sob a perspectiva operacional, a hemocultura manual baseia-se na incubação dos frascos por um período mínimo de sete dias, com homogeneizações periódicas para favorecer o crescimento microbiano. A positividade é tradicionalmente verificada por inspeção visual da turvação do meio ou por meio de repiques cegos em intervalos predeterminados. Quando identificado crescimento, torna-se necessário realizar subcultivo imediato e preparo de lâmina para microscopia com coloração de Gram. Esse processo demanda intensa intervenção técnica, vigilância constante e elevado nível de expertise profissional.

Apesar de historicamente consolidado, o método manual apresenta limitações importantes, como maior tempo para liberação de resultados, maior risco de contaminação durante a manipulação, variabilidade de interpretação e aumento da carga de trabalho da equipe técnica. Além disso, o processo depende de inspeção visual frequente e repicagens, o que eleva o consumo de insumos e a exposição ocupacional a agentes biológicos.

Em contraste, os sistemas automatizados de hemocultura representam avanço significativo ao permitir monitoramento contínuo das amostras incubadas. Quando há presença de microrganismos viáveis no frasco inoculado, ocorre produção de dióxido de carbono (CO₂), detectado automaticamente pelo equipamento por meio de sensores específicos. Essa tecnologia possibilita maior sensibilidade analítica, redução do tempo para positividade e diminuição da intervenção manual, contribuindo para maior padronização e confiabilidade dos resultados.

Os sistemas automatizados de hemocultura permitem o monitoramento contínuo das amostras e a detecção automática da produção de CO₂ por microrganismos viáveis, aumentando a sensibilidade e reduzindo o tempo para positividade. A automatização diminui a intervenção manual, reduz erros e contaminações, otimiza recursos e favorece diagnóstico mais rápido, antibioticoterapia direcionada e melhores desfechos clínicos, além de proporcionar economia financeira ao reduzir a necessidade de repetição de exames, demanda de mão de obra e tempo de internação, com maior giro de leitos.

Durante o período do estudo, conduzido em um laboratório da região sudoeste do Paraná entre o início de outubro de 2010 e o final de setembro de 2012, foram realizadas 1.403 hemoculturas. Destas, 1.308 (93,2%) apresentaram resultado negativo e 95 (6,8%) resultado positivo. No intervalo compreendido entre outubro de 2010 e setembro de 2011, quando foi empregado o método manual, foram processadas 550 hemoculturas, das quais 13 (2,4%) foram positivas. Já entre outubro de 2011 e setembro de 2012, período em que se adotou o método automatizado, foram realizadas 853 hemoculturas, com 82 (9,6%) resultados positivos. A análise comparativa evidencia maior taxa de positividade no método automatizado em relação ao método manual (2,4% versus 9,6%), constatando maior sensibilidade diagnóstica do sistema automatizado.

Diante desse cenário, a automatização das hemoculturas representa não apenas um avanço técnico-científico, mas também uma estratégia institucional voltada à qualidade assistencial e à sustentabilidade econômica. Ao integrar maior rapidez diagnóstica, padronização de processos, redução de riscos ocupacionais e otimização de recursos humanos, os sistemas automatizados contribuem para decisões clínicas mais assertivas e para a redução da mortalidade associada às infecções da corrente sanguínea, agregando valor ao laboratório e à instituição de saúde como um todo.

Como exemplo de sistema automatizado, o BACT ALERT 3D destaca-se por sua capacidade de armazenar 120 frascos simultaneamente, permitindo a realização de culturas de sangue, outros fluidos corporais estéreis e micobactérias em um mesmo equipamento. O sistema utiliza tecnologia de detecção colorimétrica associada à presença de resina de adsorção polimérica nos frascos, possibilitando a neutralização parcial de antibióticos presentes na amostra. Apresenta ainda alarme visual e sonoro para frascos positivos, detecção de crescimento de bactérias e leveduras em aproximadamente 8 a 12 horas de incubação em muitos casos, além de operação simplificada e baixa necessidade de manutenção.

Figura 1: Plataformas BACT ALERT 3D

Fonte: https://www.biomerieux.com/br/pt.html

Com o objetivo de oferecer serviços de excelência e fortalecer a segurança diagnóstica, a Centerlab e a bioMérieux, líder mundial em diagnóstico in vitro, anunciam uma nova parceria estratégica voltada à ampliação do acesso a equipamentos automatizados de hemocultura. A partir dessa união, os sistemas automatizados de hemocultura passam a integrar o portfólio da Centerlab, agregando tecnologia de ponta para detecção rápida e confiável de infecções na corrente sanguínea. A iniciativa amplia e fortalece a oferta de soluções completas em microbiologia, promovendo maior eficiência laboratorial, otimização de processos e suporte especializado. Como resultado dessa iniciativa, as empresas reforçam seu compromisso com a excelência diagnóstica, contribuindo para decisões clínicas mais ágeis e assertivas, além de impactar positivamente a qualidade assistencial e a segurança do paciente.

REFERÊNCIAS:
– BERLITZ, F. A. Controle da qualidade no laboratório clínico: alinhando melhoria de processos, confiabilidade e segurança do paciente. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial. 2010;46(5):353–363.
– GUAREZE, G. M.; BORDIGNON, J. C. Estudo comparativo entre hemocultura automatizada e manual em um laboratório do sudoeste do Paraná, Brasil. Instituto Federal do Paraná, Pato Branco, PR, 2016.

 

Hemocultura Automatizada x Hemocultura Manual

Hemocultura Automatizada x Hemocultura Manual

Centernews_117

Hemocultura Automatizada x Hemocultura Manual

O sangue humano circulante é estéril, mas no transcorrer de algumas doenças infecciosas, eventualmente, o sangue pode ser invadido por microrganismos. Uma invasão passageira da corrente sanguínea é denominada bacteremia, ao passo que, a situação em que o microrganismo além de invadir se multiplica na corrente circulatória denomina-se septicemia.

hemocultura é um exame utilizado na detecção de bactérias no sangue através do uso de meios de culturas específicos. Sabe-se que a partir do sangue as bactérias podem atingir qualquer sítio do organismo, produzindo o que se chama de focos infecciosos, podendo agravar o quadro clínico prolongando, o tempo de hospitalização ou até mesmo levar a óbito. Igualmente, outros fluídos biológicos estéreis (líquor, líquido pleural, líquido de ascite, entre outros) podem ser representativos para o diagnóstico e monitoramento de infecções graves.

Do ponto de vista epidemiológico, pode-se considerar o S. aureus como uma das principais bactérias responsáveis pela bacteremia e septicemia, sendo que o isolamento precoce desses organismos é de extrema importância na escolha da terapia adequada, aumentando a chance de recuperação do paciente. Visto isso, a Centerlab em parceria com a Laborclin possui uma linha de hemoculturas destinadas ao isolamento em amostras de sangue e líquidos estéreis.

Os métodos manuais atendem aos requisitos necessários para detecções desses microrganismos, através de meios de cultura líquidos enriquecidos, contendo SPS (anticoagulante) capaz de inibir a coagulação do sangue, sem inibir o crescimento microbiano, além da presença de CO2 facilitando o crescimento anaeróbico. Porém ciente da gravidade e importância nos hospitais de resultados mais precisos e rápidos, a Laborclin investe em tecnologia trazendo um equipamento para hemocultura automatizada, denominado Bactime.

A hemocultura automatizada traz para sua análise a segurança do resultado e praticidade na sua rotina, pois aumenta a eficiência operacional apresentando uma técnica segura de monitoramento contínuo e fluxo de trabalho padronizado, além de redução dos custos na mão de obra de reprocesso.

BacTime

 

O Bactime, hemocultura automatizada, reúne as vantagens já conhecidas neste método somando a inovações como:

– Indicador de positividade reagente a CO2 e a alterações de pH, dobrando a eficiência e reduzindo o tempo de positivação;

– Frascos totalmente em plástico de alta resistência;

– Rótulos em português com marcação de volume;

Frascos BacTime

Frasco Verde: Aeróbico Adulto.
Frasco Amarelo: Aeróbico e Anaeróbico Pediátrico.
Frasco Roxo: Anaeróbico Adulto.
Frasco Laranja: Aeróbico especial Adulto (Suplementado e enriquecido para recuperação de microrganismos aeróbicos deficientes e microrganismos fastidiosos, excelente recuperação de Fungos).

– Baixo volume de amostra, permitindo um número de coletas sem prejudicar a volemia do paciente ou diminuir a capacidade de crescimento dos microrganismos;

– Volumes de coleta específicos para frascos adultos e pediátricos;

– Computador integrado, Tela Touchscreen, Software intuitivo e totalmente em português;

– Alarmes e identificadores de amostras positivas e negativas na tela, na porta e na parte interna do equipamento;

– Dois controladores de temperatura, para garantir a estabilidade da incubação;

– Tempos de leitura programáveis pelo usuário (leituras a cada 1 minuto até leituras a cada 1 hora), sendo o tempo da próxima leitura informado na tela do software;

– Gráficos representando os resultados das leituras, realizadas a partir de um algoritmo primário e aferida por dois algoritmos secundários, com tempo de positivação da amostra;

– Descrição completa de cada leitura realizada pelo equipamento, com data, hora e resultado;

– Relatórios práticos e usuais, como tempo médio de positividade ou quantidades de amostras positivas em determinado período;

– Possibilidade de emitir relatórios por local/setor/leito, definindo o índice de positividade em determinado setor do hospital ou índice de contaminação em uma unidade de coleta;

Frascos_BacTime_Positivo_Negativo

– Tempo e temperatura de incubação definidos pelo usuário, conforme o protocolo adotado pelo laboratório;

– Manutenção simples, apenas limpeza (interna e externa) e monitoramento da temperatura;

– Leitores individuais de LED. Como cada posição contém um leitor, caso apresente defeito, os demais continuarão funcionando, até que a manutenção seja realizada;

– Método de checagem dupla por reflectância. Cada posição possui dois emissores e dois receptores LED;

– Fácil visualização dos frascos positivos por diferença de cor. Indicador de positividade reagente a CO2 e a alterações de pH, dobrando a eficiência e reduzindo o tempo de positivação de amostras positivas;

– Resina de adsorção polimérica e resina catiônica no mesmo frasco, garantindo uma maior ligação com antibióticos e o
aumento da positividade das amostras;

 

Resina

 

– Troca catiônica – Resina de troca catiônica, fortemente ácida, liga-se ionicamente aos antimicrobianos de carga positiva, como os aminoglicosídeos;

– Adsorção polimérica – Resinas de adsorção polimérica ligam-se as regiões hidrofóbicas de praticamente todos os antimicrobianos.

A Centerlab em parceria com a Laborclin, mantendo sempre o espirito inovador de grande qualidade e acessível a todos nossos clientes independente de seu porte, tem a grande satisfação de disponibilizar um excelente equipamento para a execução de hemoculturas automatizadas. Tornando uma ferramenta de saúde pública importante com tecnologia que agrega muito a qualidade das análises, informações a CCIHs (Comissão de Controle de Infeção Hospitalar), rapidez de resposta aos médicos, correta antibioticoterapia e menor tempo de internação aumentando o fluxo dos pacientes, reduzindo custos hospitalares e acima de tudo promovendo melhor bem estar e assistência aos nossos pacientes.

Para ter mais informações sobre os benefícios que o BacTime oferece, acesse o link: https://conteudo.centerlab.com/beneficios-bactime?fbclid=IwAR3ZKqe26J_CFhEZ6dr0IO4SKYNMszcH2okR9-wgaupRLfLsufNZzqY0SEY

Referências:
-http://www.rbac.org.br/artigos/estudo-comparativo-entre-hemocultura-automatizada-e-manual-em-um-laboratorio-do sudoestedo-parana-brasil-48n-3/
– https://www.laborclin.com.br/wp-content/uploads/2019/06/BacTime_Frascos_530150_530151_530152_530153.pdf
– https://www.laborclin.com.br/hemocultura-automatizada/